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O cãozinho e o crocodilo
O cãozinho e o crocodilo
Luciano Irrthum
Série Corisco, nº 1, 2ª ed.
João Pessoa: Marca de Fantasia, 2006. 28p. 14x20cm. R$10,00.
ISBN 85-87018-65-5

Luciano Irrthum é uma personalidade bastante atuante no meio dos quadrinhos independentes. Sua participação é profícua, tendo trabalhos publicados em inúmeras publicações, a exemplo do fanzine Top! Top! (nº 8, jul. 1998), onde figurou com capa, quadrinhos e entrevista. Por outro lado, tem editado seus próprios fanzines, ou revistas autorais, com o capricho que lhe é peculiar. Uma de suas publicações mais renomadas foi Scabs, revista em grande formato e capa colorida, lançada em meados da década de 1990.

Estivéssemos num país decente, o trabalho de Luciano teria o destaque que tanto merece. O complexo de inferioridade de nossas elites – leia-se, dos grandes editores nacionais – não lhes permite enxergar o inestimável valor de nossa cultura, sobretudo da cultura popular. Dominados pela ambição e lucro fácil e garantido, são cúmplices da massificação cultural hegemônica estadunidense.

O trabalho de Luciano não tem nada dos super-heróis egocêntricos do olimpo erigido pelo império do norte. Suas histórias em quadrinhos são comumente intimistas e bizarras, tratando da angústia e dos desencontros humanos, por vezes adentrando o pantanoso território da escatologia. De toda forma, ele é sempre provocador e instigante, rompendo com a indiferença e passividade do leitor, levando-o a uma leitura crítica.

As histórias em quadrinhos, em particular as dirigidas ao público jovem, em sua maioria pecam pela superficialidade dos argumentos e pelos roteiros mal construídos. Isto se deve ao amadorismo e à precariedade do embasamento cultural de seus autores. Todavia, os quadrinhos independentes, que insistem em se mostrar em evidência no país, têm contado com alguns artistas que se contrapõem a essa máxima. As adaptações de grandes autores da literatura universal para os quadrinhos são uma prova inconteste da ousadia desses quadrinhistas. Dentre eles, destaca-se o trabalho de Luciano Irrthum. É dele a adaptação de alguns contos de Edgar Allan Poe e poesias de Baudelaire e Augusto dos Anjos, autores com os quais se identifica em sua cosmogonia. 


O traço expressionista de Luciano Irrthum

No que concerne à parte gráfica, o trabalho de Irrthum busca renovação e experimentação permanentes. A expressividade das personagens e o virtuosismo do traço promovem uma fusão do expressionismo com a estética underground. As garatujas plenas de hachuras se transformam em linguagem no traço do autor, criando verdadeiros painéis ricos em detalhes que nos levam a considerá-lo, ao lado de Lourenço Mutarelli, um dos mais expressivos da arte seqüencial brasileira.

O cãozinho e o crocodilo é uma história que falsamente dá indícios de um abrandamento da força explosiva de Irrthum, mas apenas num primeiro momento, pela sugestão enigmática do título. Sua leitura revela um conto surreal repleto de mistério, com um desfecho surpreendente próprio do estilo dos contos. Inspirada em um sonho intrigante, O cãozinho e o crocodilo poderia ser considerada como um conto ilustrado, não fosse esta definição um limite ao verdadeiro amálgama de textos e imagens que forma as histórias em quadrinhos. Temos, portanto, uma história em quadrinhos na acepção exata do termo, com sua narrativa densa, enxuta e precisa, cujo domínio Luciano Irrthum tem procurado sempre expressar.

Henrique Magalhães

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