Henrique Magalhães
11/02/2025
Em meados da década de 1990 florescia no país uma produção de quadrinhos que não se enquadrava nos padrões das publicações do mercado. Circulando nos fanzines e autoedições, o que passou a ser chamado de quadrinhos poético-filosóficos era a expressão mais pessoal de jovens quadrinistas que ousavam experimentar sobre os recursos da linguagem e propunham novas abordagens temáticas, estéticas e modo de criação.
Um dos que mais se interessaram pelo estudo dos quadrinhos poético-filosóficos foi o professor Doutor Elydio dos Santos Neto, que realizou pós-doutorado sobre o tema no Instituto de Artes da UNESP. Com base no trabalho dos autores referenciais do gênero, Elydio demonstrou a importância e a densidade dessa produção, resgatando-a da “marginalidade” da autoedição à relevância de objeto de estudo acadêmico de alto nível.
Em 2012, Elydio propôs à editora Marca de Fantasia a edição de seu vasto material de pesquisa, basicamente as entrevistas que fundamentaram seu pós-doutorado, numa série de livros reflexivos sobre os quadrinhos poético-filosóficos. Primeiro saiu Os quadrinhos poético-filosóficos de Edgar Franco: textos, HQs e entrevistas, de autoria de sua autoria. Em seguida veio Edgar Franco e suas criaturas no Banquete de Platão, por Nadja Carvalho
Em seguida foi a obra de Gazy Andraus que ganhou relevo na visão de Elydio, livro que sai agora em segunda edição no formato digital. Gazy é um dos autores mais seminais dessa geração, radicalizando no processo intuitivo de criação. Sobre ele, é melhor acompanhar o profundo e brilhante trabalho de Elydio, que provoca e revira os conceitos engessados da academia.
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