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Uma crônica cemiterial
Daniel Figueiredo
10.2025
Este trabalho nasceu de uma atividade do Grupo de Estudos e Pesquisas em Etnografias Urbanas da UFPB, o circuito urbano-cemiterial aconteceu no dia 03/10/2025 no cemitério Senhor da Boa Sentença, em João Pessoa. A mediação ficou por conta da Antropóloga Elisa Rodrigues e do também Antropólogo Weverson Bezerra.
Este quadrinho é o resultado de uma escuta. Não apenas das vozes que habitam o mundo visível, mas também daquilo que vibra no intervalo entre as coisas, o murmúrio dos túmulos, o silêncio das ruas, o sopro que o tempo deixa preso nas pedras e nas lápides. Caminhar entre os mortos foi, para mim, uma forma de pensar os vivos.
Escrever, desenhar e registrar esses fragmentos tornou-se um gesto de habitar o limiar: entre o corpo e a memória, entre o olhar e o invisível. Uma tentativa de traduzir, em imagens e palavras, o modo como o espaço se contamina de presenças. Ao longo dessas páginas, o cemitério se revela como laboratório de pensamento, campo de escavações poéticas e filosóficas.
Faço aqui um exercício de atenção: olhar o mundo pelos interstícios, encontrar no abandono e no silêncio uma forma de companhia. Cada traço, cada frase, é parte dessa escuta.

Páginas de "Diário de campo 1", de Daniel Figueiredo |
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