A Batata Filosofal é um fanzine em quadrinhos de pesquisa acadêmica que transforma o cotidiano urbano em laboratório filosófico. Quando uma batata brota na fruteira, passa a exigir terra, o autor-personagem inicia uma deriva pela cidade em busca de chão — mas encontra apenas cimento, asfalto e ladrilhos. Desse impasse nasce o motor da narrativa: a disputa entre um mundo pavimentado, que veda a vida, e a insistência do arché como terra, fluxo e origem.
Ao longo do percurso, a HQ encena encontros e diálogos com filósofos deslocados para a rua — figuras mendigantes, irônicas, intempestivas — que funcionam como coro crítico da “esgotização” do mundo: o córrego vira esgoto, o horizonte parece apagado, e a experiência de cidade se torna uma forma concreta de niilismo. Nietzsche irrompe como voz que intensifica a sensação de desertificação; Heráclito reaparece como pensamento do fluxo em choque com o colapso ambiental; Diógenes e outros surgem como contrapontos éticos e cômicos à autoridade e às ilusões de controle; Foucault entra como ruído produtivo para tensionar a ideia de conhecimento como posse, herança ou genealogia.
Com desenho de tom realista e quase documental, A Batata Filosofal articula humor, crítica e montagem visual para investigar como conceitos filosóficos se reencarnam em situações banais e materiais (a fruteira, a calçada, o esgoto, a falta de terra). A batata — que vira ikebana, broto teimoso, vida transmutando — opera como personagem conceitual: não ilustra a teoria, mas a coloca em risco. Entre sarjetas, gags e imagens de ruína urbana, o zine propõe a filosofia como prática situada: pensar é procurar solo, e aprender é acompanhar o fluxo onde a cidade tenta fixar tudo.
Sobre os autores
Marcos Costa de Freitas / @marcos_costa369 /
Email: Emarcos.korubos@gmail.com/ Doutorando do PPGACV - UFG, Membro do Grupo de Pesquisa CriaCiber
Sou Marcos, artista e pesquisador que desenha pra pensar e pensa pra não virar cimento. Um dia uma batata brotou na minha fruteira, virou quase uma ikebana e me obrigou a procurar “terra fofa” no meio do asfalto. No caminho, trombei com filósofos mendigos, um pombo crítico e um córrego que virou esgoto. Se a cidade pavimentou tudo, eu respondo com sarjeta, riso e raiz.
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Os Cria_ciberzines são uma produção dos integrantes do grupo de pesquisa Criação e Ciberarte (CRIA_CIBER), liderado pelo professor-pesquisador e artista transmídia Edgar Franco (@ciberpaje), com edição de Gazy Andraus e Léo Pimentel. Coord. geral do Ciberpajelanças: Edgar Franco (Ciberpajé). Inserção e montagem dos zines para a Marca de Fantasia em pdf por G. Andraus. Link ao Instagram do CRIA_CIBER (Cria_ciberzines), a cargo de Ícaro Malveira (e criaciberes): https://www.instagram.com/cria_ciber/

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