QI: quociente de inteligência nos quadrinhos independentes
O QI, de Edgard Guimarães, chega ao número 114 e faz-nos lembrar que há mais de dois anos atingiu a emblemática centésima edição. As mudanças estruturais que ocorreriam na publicação, como tão especulado na época, afinal não aconteceram, o fanzine não sofreu nenhuma ruptura com a estrutura anterior, mas vem mudando gradualmente, deixando de ser, a cada número, uma revista de resenhas para ser uma publicação reflexiva.
Pegando o espírito do novo QI, vale uma reflexão: o fluxo produtivo dos fanzines impressos está em franco decréscimo ou sua escassez nas páginas do fanzine seria uma das mudanças em seu projeto editorial, que abriu mais espaço para a opinião?
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Os Frustrados
Os quadrinhos de Claire Bretécher são um retrato caricatural da sociedade burguesa contemporânea. Seu desenho nervoso e expressivo corresponde perfeitamente a sua proposta de não fazer concessão aos valores estabelecidos, sobretudo quando mira as idiossincrasias das personalidades ricas, os pseudo-intelectuais de esquerda, os aficionados por psicanálise e os esnobes. De mesmo modo, aborda com ironia a militância feminista e os comportamentos familiares inovadores. No cenário dos quadrinhos críticos e reflexivos, o trabalho de Claire Bretécher se impõe como um dos mais importantes do humor com expressão sociológica, no mesmo domínio da obra de Quino e Henfil.
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