Maria em AmadoraBD 2026

Cartaz com ilustração de Luís Louro
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H. Magalhães
10.2026
Habitualmente, no final de outubro, as histórias em quadrinhos (ou bandas desenhadas) invadem os salões da cidade de Amadora, em Portugal. Em 2026, o festival AmadoraBD completou 37 anos, trazendo ao público autores renomados de várias partes do mundo, exposições com homenagens e retrospectivas de personagens icônicos, palestras, oficinas, lançamentos de livros e sessões de autógrafos.
O AmadoraBD é um dos eventos de quadrinhos mais prestigiados da Europa e ponto de interação da arte em suas diversas linguagens e expressões. Destacam-se nas exposições deste ano: “80 anos de Lucky Luke”, “Dylan Dog: 40 anos do investigador do pesadelo”, “80 anos de Blake e Mortimer”, “Kingpin Books: 20 anos a contar histórias” e “Quarteto Fantástico: a família que criou a Marvel”, entre outras.
Por intermédio da editora Polvo, tenho tido o enorme prazer de frequentar o evento quase todos os anos, não só como espectador, mas também como autor. Em 2015, a Polvo lançou o primeiro livro de Maria, “Seu nome próprio… Maria! Seu apelido, Lisboa”, laureado no festival, em 2016, como melhor livro de humor. Com isso, ganhei um espaço de honra na edição seguinte, com uma exposição abrangente das tiras da personagem.

À esquerda, display com programa do festival. À direita, o editor Rui Brito, Henrique Magalhães e José Domingos |
Minha relação com a Polvo e com o festival já rendeu muitos frutos. Habitué de seus corredores, palco de apresentações e balcão de autógrafos, vim ao AmadoraBD 2026 para o lançamento de dois livros: o sexto título de Maria pela Polvo, “Macambira e sua gente”, e “Do fanzine ao álbum: Polvo e a edição de banda desenhada independente em Portugal”, este publicado pela Marca de Fantasia e ainda inédito no Brasil. O ensaio destaca a importância da Polvo no cenário editorial português, na véspera de completar 30 anos de produção.

Maria já tem seis livros lançados em Portugal pela editora Polvo |
É deveras surpreendente a trajetória de Maria em Portugal. Tão calcada na cultura brasileira, mas com muitas tiras de humor universal, a personagem tem trânsito livre entre os portugueses, que reconhecem nela a sutileza na abordagem de temas sensíveis e, ao mesmo tempo, a crítica ferina aos desmandos do poder. Maria tem conseguido firmar-se como obra independente e produto comercial, com o prestígio da crítica e a inserção no mercado português, situação bem diversa da que ocorre em seu próprio país, onde se restringe à autoedição.
Acima, lançamento; abaixo, o autor com Sidney Gusman; ao lado, Daniel Melo, H. Magalhães, Rui Brito e Hugo Pinto |
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