Imaginário!
Issn 2237-6933

N. 7 - Dezembro de 2014

Editor: Henrique Magalhães
Ilustração da capa: Paloma Diniz
Editoração: H. Magalhães


Marca de Fantasia
Rua Maria Elizabeth, 87/407
João Pessoa, PB. 58045-180
marcadefantasia@gmail.com
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A editora Marca de Fantasia é uma atividade da Associação Marca de Fantasia, CNPJ 19391836/0001-92
e um projeto do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFPB



Imaginário! revisita os fanzines

Com a Imaginário! damos destaque à produção acadêmica
voltada às histórias em quadrinhos e temáticas afins, como humor, ficção científica e outras expressões da Cultura
Pop ligadas à representação imagética. Por suas páginas passam reflexões balizadas de Doutores, Mestres, pós-graduandos e graduandos de todo o país, que contribuem para o enriquecimento do estudo das artes.

A matéria de capa desta edição é dedicada aos fanzines, essas publicações quase confidenciais de análise e experimentação de linguagens artísticas feitas à margem do mercado. O artigo de Ana Basaglia, especialista em Design Gráfico pela FAAP e mestranda em Design gráfico pela UAM, descreve a relação dos conceitos de novas mídias, proposto por Lev Manovich, e a influência que os computadores impõem no universo dos fanzines nos dias atuais. Este é um tema corrente no confronto entre a renitente produção impressa e as novas possibilidades trazidas pela informática aos fanzines e outras produções editoriais.

As adaptações literárias em quadrinhos é o tema abordado por Daniel Baz dos Santos, doutorando em História da Literatura (FURG), que propõe o estudo sobre a versão que o quadrinista francês Winshluss fez de As aventuras de Pinóquio, de Carlo Collodi. A partir da comparação entre a adaptação e o texto original, Daniel considera as peculiaridades poético-estilísticas de ambas as linguagens, reforçando a ideia de intertextualidade e interdisciplinaridade das obras.

Victor Souza Pinheiro, mestrando em Comunicação pela UFPB, investiga a utilização da fotografia na construção imagética da história em quadrinhos norte-americana Ex Machina, escrita por Brian K. Vaughan e ilustrada por Tony Harris. A análise se baseia nos estudos de autores como Jürgen Habermas, Joan Fontcuberta e Slavoj Zizek, apontando a transição da fotografia de registro histórico a código iconográfico dos quadrinhos.

O universo do personagem Tintim é trabalhado por Fábio Cornagliotti de Moraes, mestrando em História Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. O artigo analisa algumas histórias da série As aventuras de Tintim mirando as representações do constructo histórico que é denominado pela cultura ocidental como “Oriente”. Reforçando a crítica recorrente à obra de Hergé, o autor busca demonstrar como o quadrinista reproduziu a ideologia europeia dominante sobre o Oriente.

Marcelo Bolshaw Gomes, Doutor em Ciências Sociais e professor do Programa de Pós Graduação em Estudos da Mídia da UFRN traz como tema a “narratividade midiática: o casamento entre texto e imagem”. O texto apresenta os diferentes momentos dos Estudos Narrativos destacando alguns de seus conceitos e metodologias com o objetivo é contrastá-los com as atuais narrativas transmidiáticas.

Por fim, temos a resenha de Logicomix, por Enio Freire de Paula, Mestre em Educação para a Ciência e o Ensino de Matemática pela Universidade estadual de Maringá e professor do Instituto Federal de Educação e Tecnologia de São Paulo. Para o autor, Logicomix é um retrospecto de fatos marcantes do século XX, à luz de uma das mentes matemáticas mais produtivas desse período: um romance histórico, uma HQ especial na História da Matemática.

Com esta edição, intencionalmente mais curta, pretendemos dar início, de forma experimental, a nova periodicidade; a Imaginário! passará de semestral a quadrimestral, saindo, portanto, três vezes ao ano, em abril, agosto e dezembro. Dessa forma estaremos mais presentes na “cabeceira”
de nossos leitores e daremos mais espaços de publicação aos colaboradores.

Henrique Magalhães

Apresentamos, a seguir, o resumo dos artigos; a revista completa em pdf encontra-se em link no final da seção.

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O que os "princípios da nova mídia" têm a ver com os fanzines
Ana Basaglia

Este artigo pretende descrever a relação dos conceitos de novas mídias, proposto por Lev Manovich em sua obra “The language of New Media”, e a influência que os computadores impõem no universo dos fanzines nos dias atuais.

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O Pinóquio, de Winshluss, e o Pinóquio, de Collodi:
um diálogo entre literatura e quadrinhos

Daniel Baz dos Santos

O presente trabalho parte de noções contemporâneas envolvendo a adaptação de obras literárias em quadrinhos para pensar a versão que o quadrinista francês Winshluss fez de As aventuras de Pinóquio, de Carlo Collodi. Após a leitura do texto original e do adaptado é possível pensar nas peculiaridades poético-estilísticas de ambas as linguagens, assim como iluminar esta que é uma das discussões contemporâneas mais decisivas no terreno da intertextualidade e interdisciplinaridade.

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Fotorreferência em Ex Machina:
um super-herói revisita o 11 de Setembro

Victor Souza Pinheiro

O presente artigo investiga a utilização de arte fotorreferencial na série de história em quadrinhos norte-americana Ex Machina, escrita por Brian K. Vaughan e ilustrada por Tony Harris. Esta HQ representa uma contundente autocrítica do gênero de quadrinhos de super-heróis no pós-11 de Setembro, apresentando um protagonista que, depois de salvar uma das torres gêmeas do World Trade Center em uma alegórica reimaginação do fatídico ataque terrorista de 2001, se deixa corromper moralmente ao ingressar na carreira política como prefeito de Nova York. Com o suporte teórico de estudiosos como Jürgen Habermas, Joan Fontcuberta e Slavoj Zizek, entre outros, o estudo busca elucidar a fotorreferência como um artifício estético de extrema relevância discursiva para a essência conceitual e a força simbólica de Ex Machina, evocando a fotografia como ponte de transição da realidade histórica para o código iconográfico dos quadrinhos. A análise foca-se especificamente em dois aspectos da obra: sua perspectiva desconstrutivista sobre as HQs de super-heróis norte-americanos e o arquétipo consagrado pelo pioneiro Superman, trazendo uma revisão crítica metalinguística das convenções formais e da mitologia do gênero; e sua engenhosa regurgitação do 11 de Setembro, considerado o evento mais documentado da História, cuja imortalização na memória coletiva ocidental passa também pelo espectro de uma torrencial
produção fotográfica.

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Tintim e os outros: o Oriente como representação nas histórias em quadrinhos
"As aventuras de Tintim"

Fábio Cornagliotti de Moraes

O presente artigo tem como objetivo analisar algumas histórias em quadrinhos da série “As aventuras de Tintim” e buscar as representações do constructo histórico que é denominado pela cultura ocidental como “Oriente”. As HQs feitas por Hergé não são apolíticas, imparciais, realistas
ou inocentes, mas fazem parte de um conjunto de ideias cuidadosamente elaboradas durante séculos e que eram presentes na Europa na época que Hergé escreveu suas famosas aventuras.
O artigo busca demonstrar como o quadrinista reforçou e reproduziu a ideologia europeia dominante na época sobre o Oriente: que ele era atrasado, inferior e portanto, legitimamente conquistado.

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Narratividade midiática: o casamento entre texto e imagem
Marcelo Bolshaw Gomes

A prática social de contar estórias – sejam filmadas, desenhadas em quadrinhos, escritas em livros ou narradas oralmente – sempre foi objeto de reflexão e uma fonte importante de conhecimento. O presente texto apresenta os diferentes momentos dos Estudos Narrativos (clássico, estruturalista, mitológico e hermenêutico), destacando alguns de seus conceitos e metodologias. O objetivo é contrastá-los com as atuais narrativas transmidiáticas – aquelas que, segundo Jenkins (2008), se desenvolvem de forma desigual e combinada em várias mídias simultâneamente, formando um universo narrativo ou uma realidade analógica, em que a audiência passa a participar. E o resultado dessa reflexão é, ao contrário do que pensam alguns autores, as imagens são elementos de narratividade complementares ao texto escrito. E a transmediação das narrativas nada mais é que a combinação, em vários suportes diferentes, deste casamento entre o pensamento e a imaginação.

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A utopia da cidade inteligente:
análise narrativa do seriado de TV "Stargate Atlantis"

Marcelo Bolshaw Gomes

O presente texto tem por objetivo analisar a noção da cidade como elemento narrativo na ficção científica atual, principalmente no seriado de televisão Stargate Atlantis. Para tanto, utiliza uma combinação metodológica de hermenêutica, análise discursiva e narrativa. O resultado é que a cidade nas narrativas contemporâneas não é um mero cenário ou ambiente em que os acontecimentos se dão, ela é um ‘quase personagem’, um elemento narrativo que enquadra os personagens na modernidade urbana; e que se confunde com o protagonista.

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Resenha - Logicomix: uma jornada épica em busca da verdade
Enio Freire de Paula

Vivemos em um mundo em que a Matemática é considerada um bicho de sete cabeças. Para muitos em nossa sociedade (alunos, pais e até mesmo docentes de outras disciplinas), infelizmente “saber matemática não é considerado normal, normal é não saber”. Contudo, como afirma Caraça (2003) “A Matemática é geralmente considerada como uma ciência à parte, desligada da realidade, vivendo na penumbra de um gabinete, um gabinete fechado, onde não entram os ruídos do mundo exterior, nem o sol nem os clamores dos homens. Isto só em parte é verdadeiro” (CARAÇA, 2003, pg.7).

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Edição completa em pdf: imaginario-7


Imaginário! 7 - Paraíba, dezembro de 2014 - ISSN 2237-6933

Publicação do Grupo de Pesquisa em História em Quadrinhos - GPHQ, do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal da Paraíba.

Editor/editoração: Henrique Magalhães

 

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Wellington Pereira - UFPB

Os textos não assinados são de autoria do editor. As colaborações em textos, ilustrações e quadrinhos são propriedade e responsabilidade dos autores.

Colaboram nesta edição: Ana Basaglia, Daniel Baz dos Santos, Enio Freire de Paula,
Fábio Cornagliotti de Moraes, Marcelo Bolshaw Gomes, Victor Souza Pinheiro

Equipe editorial: Alessandro Reinaldo, Alex de Souza,
H. Magalhães, Marcelo Soares e Paloma Diniz

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