Imaginário!
Issn 2237-6933

N. 6 - Junho de 2014

Editor: Henrique Magalhães
Ilustração da capa: Paloma Diniz
Editoração: H. Magalhães


Marca de Fantasia
Rua Maria Elizabeth, 87/407
João Pessoa, PB. 58045-180
marcadefantasia@gmail.com
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A editora Marca de Fantasia é uma atividade da Associação Marca de Fantasia, CNPJ 19391836/0001-92
e um projeto do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFPB



Imaginário! 6

A revista Imaginário! vem cumprindo seu papel de dar vazão à produção acadêmica voltada às histórias em quadrinhos e temáticas afins, como humor, ficção científica e outras expressões da Cultura Pop ligadas à representação imagética. Por suas páginas passam reflexões balizadas de Doutores, Mestres, pós-graduandos e mesmo graduandos de todo o país, que contribuem para o enriquecimento das artes.

Na sexta edição prestamos homenagem à jovem cartunista
e ilustradora paraibana Luyse Costa, com o perfil apresentado por Paloma Diniz. É de Paloma também a capa, trabalhada sobre a obra de Luyse. Atualmente radicada
em São Paulo, Luyse é historiadora e tem se dedicado a criar biografias em quadrinhos, dentre as quais a de Anchieta e a da poetisa paraibana Anayde Beiriz.

Fábio Tavares, que lançou recentemente o livro História em Quadrinhos no ensino de Artes Visuais, pela Marca de Fantasia, faz artigo baseado nessa obra, em que apresenta as Histórias em Quadrinhos como uma linguagem artística das Artes Visuais, e como tal devem ser experimentadas nas relações de ensino/aprendizagens das Artes Visuais em todos os níveis da educação básica. Desse modo, considera importante dar lugar à leitura e experimentação de sua linguagem dentro dos cursos de graduação em Artes Visuais.

No artigo Interdiscursividade em The Lost Canvas Gaiden: inovações ou continuidade? Amaro Braga e Mariana Petróvana apresentam uma análise, a partir da noção bakhtiniana de interdiscursividade, do mangá The Lost Canvas Gaiden, avaliando seu processo criativo quanto às continuidades e inovações no roteiro temático e na produção de desenhos, requadros, arte-finalização entre outros elementos estéticos em relação à versão clássica.

Thiago Vasconcellos Modenesi traz o estudo As charges educando no Segundo Reinado do Império Brasileiro, em que aborda a formação da corrente abolicionista no contexto do Segundo Reinado do Império Brasileiro. Para fazê-lo apoiou-se no que se conhece sobre a escola pública da época,
que era voltada para a minoria, continuando a maior parte da população analfabeta.

Educação e publicações independentes são temas do artigo Ambiente escolar: o protagonismo do estudante com fanzines, de Carlos de Brito Lacerda. O autor observa que o trabalho didático-pedagógico em salas de aula pode contar com os fanzines para tornar os processos de aprendizagem mais atraentes e significativos, estimulando os processos dialógicos tendo os estudantes como protagonistas de seu aprendizado.

Já Marcelo Bolshaw investiga suas temáticas prediletas, a ficção científica e as séries televisivas. Ao analisar a narrativa do seriado de TV Stargate Atlantis, destaca a noção da cidade como elemento narrativo na ficção científica atual, utilizando uma combinação metodológica de hermenêutica,
análise discursiva e narrativa.

A partir da obra 99 Ways to Tell a Story – exercises in style, de Matt Madden, Ricardo Jorge de Lucena Lucas faz uma instigante reflexão sobre a “narrativa quadrinística”, apontando o equívoco dessa afirmativa. Para o autor, tal termo parece ser, em alguns aspectos, inapropriado, uma vez que não faz sentido falar que se “narra” através dos quadrinhos.

Finalmente, apresentamos a resenha de Victor Souza Pinheiro sobre Ex Machina, série em quadrinhos de Brian K. Vaughan e Tony Harris. Publicada entre 2004 e 2010, a obra é emblemática entre as HQs que exploram o abalo do fatídico atentado de 11 de Setembro sobre a cultura e a sociedade norte-americana, mas sobretudo sobre uma das maiores instituições do imaginário coletivo dos Estados Unidos: o super-herói.

Com textos diversificados e interessantes, esta edição da Imaginário! mostra o quanto os estudos sobre as histórias em quadrinhos e expressões correlatas das Artes Gráficas e Visuais oferecem possibilidades infinitas de investigação e descobertas.

Henrique Magalhães

Apresentamos, a seguir, o resumo dos artigos; a revista completa em pdf encontra-se em link no final da seção.

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Luyse Costa e o resgate da História através dos quadrinhos
Paloma Diniz

Este artigo explana de maneira sucinta a produção em quadrinhos da historiadora e artista Luyse Costa. Traz um breve histórico desta paraibana radicada em São Paulo, sua produção como ilustradora e, principalmente, como produtora de quadrinhos com viés biográfico e histórico.
Faremos uma abordagem mais aprofundada de sua produção de quadrinhos, em especial da HQ Anayde Beiriz: uma biografia em quadrinhos, de Anchietinha: a Capela de São Miguel, e de seu futuro lançamento de mais um quadrinho nesta linha biográfica: o de Augusto dos Anjos.

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História em quadrinhos na Licenciatura em Artes Visuais
Fábio Tavares da Silva

Este artigo objetiva apresentar as Histórias em Quadrinhos - HQs como uma linguagem artística das Artes Visuais, e como tal deve ser experimentada nas relações de ensino/aprendizagens
das Artes Visuais em todos os níveis da educação básica, no entanto, para isto acontecer é importante dar lugar à leitura e experimentação de sua linguagem dentro dos cursos de graduação
em Artes Visuais. As reflexões partem de uma experiência realizada com o ensino de HQs no curso de Licenciatura em Artes Visuais da Universidade Regional do Cariri – URCA, que a partir do primeiro semestre de 2013 vem ofertando uma disciplina de História em Quadrinhos objetivando proporcionar a seus estudantes uma experiência cultural com os quadrinhos por meio da leitura, da contextualização e do experimentar a produção de quadrinhos.

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Interdiscursividade em "The Lost Canvas Gaiden":
inovações ou continuidades?

Amaro Xavier Braga Jr, Mariana Petróvana Ferreira da Silva

O artigo apresenta uma análise, a partir da noção bakhtiniana de interdiscursividade, do mangá The Lost Canvas Gaiden, avaliando seu processo criativo quanto às continuidades e inovações no roteiro temático e na produção de desenhos, requadros, arte-finalização entre outros elementos estéticos em relação à versão clássica. Problematiza o processo de utilização de spin-offs nas histórias em quadrinhos e suas relações com a percepção destas publicações enquanto reproduções mercantis ou trabalhos criativos originais. Conclui que a aplicação da noção de interdiscursividade pode ser utilizada para diferenciar as produções que apresentam elementos de continuidade e permite distinguir entre produções meramente mercantis interessadas em induzir o consumo das produções criativas que chegam ao mercado trazendo novas propostas estéticas para a produção de quadrinhos.

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As charges educando no Segundo Reinado do Império Brasileiro
Thiago Vasconcellos Modenesi

Esse trabalho estuda a formação da corrente abolicionista no contexto do Segundo Reinado do Império Brasileiro. Para fazê-lo me apoio no que se conhece sobre a escola pública da época, que era voltada para a minoria, continuando a maior parte da população analfabeta. Tendo essa informação levanto elementos comprobatórios de que se educava além do espaço escolar formal. A Revista Illustrada foi uma publicação que, pela longevidade, circulação relevante e presença de imagens serviu a esse objetivo, ela será a fonte de nossa pesquisa. Seu editor, Angelo Agostini, foi importante no fortalecimento das ideias da abolição no Brasil, seus desenhos foram um marco artístico e eram entendidos desde o mais letrado até o mais humilde.

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Ambiente escolar: o protagonismo do estudante com fanzines
Carlos de Brito Lacerda

O trabalho didático-pedagógico em salas de aula tem exigido novas possibilidades e instrumentos por parte dos professores como meio de tornar os processos de aprendizagem mais atraentes e significativos, tendo na produção de fanzines em ambiente escolar uma potencialidade de tornar isto realidade através de processos dialógicos tendo os estudantes como protagonistas de seu aprendizado.

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A utopia da cidade inteligente:
análise narrativa do seriado de TV "Stargate Atlantis"

Marcelo Bolshaw Gomes

O presente texto tem por objetivo analisar a noção da cidade como elemento narrativo na ficção científica atual, principalmente no seriado de televisão Stargate Atlantis. Para tanto, utiliza uma combinação metodológica de hermenêutica, análise discursiva e narrativa. O resultado é que a cidade nas narrativas contemporâneas não é um mero cenário ou ambiente em que os acontecimentos se dão, ela é um ‘quase personagem’, um elemento narrativo que enquadra os personagens na modernidade urbana; e que se confunde com o protagonista.

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A narratologia modal e os quadrinhos: uma análise de
"99 ways to tell a story - exercises in style", de Matt Madden

Ricardo Jorge de Lucena Lucas

É comum ouvirmos falar em “narrativa quadrinística”, assim como se fala em “narrativa cinematográfica”. Como uma espécie de consequência natural (melhor dizendo: naturalizada),
fala-se em “narrar quadrinisticamente”. Tal termo nos parece, em alguns aspectos, inapropriado, uma vez que não faz sentido falar, a nosso ver, que se “narra” através dos quadrinhos. Como já apontamos em momento anterior (LUCAS, 2013), é fato que possa existir um narrador numa HQ, na condição de uma personagem hetero ou homodiegética, mas não como uma instância enunciativa.
Ou seja: o narrador é uma possibilidade diegética, não um imperativo enunciativo. Além disso, narrar é um ato verbal, e a narrativa em quadrinhos nem sempre necessita fazer uso de textos verbais; em casos-limite, necessitaria apenas do suporte de paratextos verbais (nome do autor, nome da obra, créditos etc.). Basta lembrarmos que récit, em francês, está ligado ao verbo “recitar”, assim como em espanhol há o termo relato; em ambos os casos, os termos estão ligados a atividades verbais (orais e/ou escritos).

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Resenha- Ex Machina: o trágico herói político do pós-11 de setembro
Victor Souza Pinheiro

Ilha de Manhattan, 11 de setembro de 2001. A Torre Norte do World Trade Center já havia sido atingida pelo voo 11 da American Airlines quando um ser alado surge em meio ao pânico para desviar a rota suicida do segundo voo sequestrado pelos terroristas da Al-Qaeda, evitando o impacto com a Torre Sul do imponente complexo financeiro. Com roteiro de Brian K. Vaughan e arte de Tony Harris, a série de quadrinhos Ex Machina (fig. 1), publicada pelo selo Wildstorm, da DC Comics, entre 2004 e 2010, é emblemática entre as HQs que exploram o abalo do fatídico atentado sobre a cultura e a sociedade norte-americana, mas sobretudo sobre uma das maiores instituições do imaginário coletivo dos Estados Unidos: o super-herói.

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Edição completa em pdf: imaginario-6


Imaginário! 6 - Paraíba, junho de 2014 - ISSN 2237-6933
P
ublicação do Grupo de Pesquisa em História em Quadrinhos - GPHQ, do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal da Paraíba.

Editor/editoração: Henrique Magalhães
Capa: Paloma Diniz, sobre ilustração de Luyse Costa
Revisão: Alex de Souza

MARCA DE FANTASIA
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Conselho editorial
Alberto Pessoa - UFPB; Edgar Franco - UFG; Edgard Guimarães - ITA/SP; Gazy Andraus - UNIMESP; Henrique Magalhães - UFPB; Marcelo Bolshaw - UFRN; Marcos Nicolau - UFPB; Paulo Ramos - UNIFESP; Roberto Elísio dos Santos - USCS/SP

Os textos não assinados são de autoria do editor. As colaborações em textos, ilustrações e quadrinhos são propriedade e responsabilidade dos autores.

Colaboram nesta edição: Amaro Xavier Braga Jr, Carlos de Brito Lacerda, Fábio Tavares da Silva, Marcelo Bolshaw Gomes, Mariana Petróvana Ferreira da Silva, Paloma Diniz, Ricardo Jorge de Lucena Lucas, Thiago Vasconcellos Modenesi, Victor Souza Pinheiro

Equipe editorial: Alessandro Reinaldo, Alex de Souza,
H. Magalhães, Marcelo Soares e Paloma Diniz

Atenção: As imagens usadas neste trabalho o são para efeito de estudo,
de acordo com o artigo 46 da lei 9610, sendo garantida a propriedade das mesmas
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