Imaginário!
Issn 2237-6933

N. 5 - Dezembro de 2013

Editor: Henrique Magalhães
Ilustração da capa: Paloma Diniz
Editoração: H. Magalhães


Marca de Fantasia
Rua Maria Elizabeth, 87/407
João Pessoa, PB. 58045-180
marcadefantasia@gmail.com
www.marcadefantasia.com

A editora Marca de Fantasia é uma atividade da Associação Marca de Fantasia, CNPJ 19391836/0001-92
e um projeto do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFPB



Imaginário! 5

Quadrinhos poético-filosóficos e mais na Imaginário!

A cada edição a revista Imaginário! se consolida como veículo de difusão das pesquisas em história em quadrinhos e temas correlatos, como humor gráfico, fanzine, animação, artes visuais, videogame, ficção científica, dentre outros. A revista é fruto do Grupo de Pesquisa em Humor, Quadrinhos e Games do Mestrado em Comunicação da UFPB, que reúne Doutores, Mestres e mestrandos da instituição, bem como todos os interessados nessas expressões artísticas e midiáticas.

Em sua quinta edição, a Imaginário! presta homenagem ao grande companheiro e incentivador Elydio dos Santos Neto, falecido em 3 de outubro de 2013. A ele, oferecemos alguns depoimentos emocionados, mas coerentes com a importância que teve para o estudo dos Quadrinhos e Educação, e para a estruturação de nosso grupo de pesquisa, com sua simpatia, sabedoria, método e generosidade. A capa da revista é a releitura de Paloma Diniz sobre uma das ilustrações de Elydio, publicada em um de seus fanzines.

Compõe o corpo da publicação o artigo de Gian Danton, professor da Universidade Federal do Amapá, com abordagem sobre a obra do quadrinista Nelson Padrella, autor que se destacou por meio das publicações da editora Grafipar na década de 1970 e que antecipou a eclosão dos quadrinhos poético-filosóficos no país. Já o Mestre pela Universidade Federal de Goiás, Matheus Moura, conjuntamente com o Professor Doutor Edgar Franco, de Artes Visuais dessa Universidade, apresenta o processo criativo do artista mineiro Gazy Andraus, um dos expoentes do gênero de história em quadrinhos poético-filosóficos.

Seguindo a mesma temática, Raimundo Clemente Lima Neto, mestrando em Comunicação pela UnB e a professora Doutora Selma Regina Nunes Oliveira estudam os “quadrinhos como labirinto: prolegômenos de uma poética das histórias em quadrinhos”, com base nas noções de poética do imaginário de Durand e Bachelard, tendo como objeto as tiras do blog Manual do Minotauro, de Laerte Coutinho. Noutra perspectiva, o Professor Doutor do Mestrado em Estudos da Mídia da UFRN, Marcelo Bolshaw Gomes, faz uma leitura meta narrativa de Sandman, de Neil Gaiman, ressaltando os aspectos neobarrocos da série em quadrinhos.

Alex Caldas Simões, Mestre em Letras pela Universidade Federal de Viçosa, apresenta o estudo “Caricatura: gênero do discurso ou recurso estilístico?”, pautado no aporte teórico-metodológico dos estudos de gênero vinculados à Linguística Sistêmico-Funcional e aos quadrinhos. Jean Machado Senhorinho, bolsista PET, com a Professora Doutora Juliana Petermann, do Curso de Comunicação da Universidade Federal de Santa Maria, RS, trazem artigo sobre duas linhas para a caracterização do mito em Homem-Aranha: Barthes e Campbell. O trabalho demonstra a complexidade da mensagem nas histórias em quadrinhos e aprofunda os estudos no campo da Comunicação.

O professor Nildo Viana, da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Federal de Goiás, apresenta o universo ficcional da personagem Recruta Zero, buscando identificar e analisar as representações e valores presentes na obra. Abordando a importância dos fanzines eletrônicos para a identidade musical brasileira, Cíntia Alves Gonçalves traz o trabalho apresentado no Curso de Pós-Graduação em Comunicação da FMU, de São Paulo, em que mostra que um fanzine eletrônico pode reverter substancialmente o quadro de pessoas, sobretudo jovens, que sofrem influência da mídia e deixam de desfrutar a diversidade musical.

Completa a edição a resenha do mestrando em Comunicação pela UFPB Marcelo Soares de Lima, sobre a obra Os quadrinhos na era digital: HQtrônicas, webcomics e cultura participativa, organizado por Lúcio Luiz.
Boa leitura!
Henrique Magalhães

Apresentamos, a seguir, o resumo dos artigos; a revista completa em pdf encontra-se em link no final da seção.

***

A Elydio com carinho

Humanista em luta
Elydio, sem o menor rastro de dúvida, era um humanista de dedicação, algo que infelizmente hoje não é dado a devida atenção mas que lhe dá um valor além das prostrações que estão inseridas em nosso cotidiano. E como bom humanista, pelas conversas que tivemos, individual ou em grupo, acreditava na vida, na transformação desta! Pergunto, existe algo mais valoroso que isso? Ano passado, ao encontrá-lo em Recife, me deu uma aula sobre o assunto e me fez refletir o quanto alguns problemas individuais conseguem ser tão pueris frente a uma DEDICAÇÃO e LUTA pela VIDA! Aproveitei que estava pessoalmente com ele e fiz o convite para compor a banca de minha defesa o que o mesmo sem pestanejar aceitou, embora tenha colocado as dificuldades de se fazer presente tendo em vista a sua atual situação, que poderia se estender até a data. Infelizmente não foi possível, mas suas contribuições não oficiais foram únicas!

INFELIZMENTE hoje ele nos deixou, fará falta não somente ao GPHQG, mas a amizade sincera que fez com todos os orgânicos do grupo. Vá em PAZ meu amigo! Um enorme abraço!
Alessandro Reinaldo

***

Nelson Padrella: o poeta dos quadrinhos
Ivan Carlo Andrade de Oliveira

Em meados da década de 1970 surgiu em Curitiba uma editora que se destacou principalmente pelas revistas em quadrinhos nacionais. Em poucos anos, a Grafipar publicou centenas de revistas nos mais diversos gêneros, sempre com toques de erotismo. Entre os artistas surgidos na editora, o roteirista Nelson Padrella se destaca por ter antecipado os quadrinhos poéticos, que depois se tornaram famosos com os trabalhos de Alan Moore, Neil Gaiman e, no Brasil, artistas como Edgar Franco e Gazy Andraus.

***

Análise do processo criativo de histórias em quadrinhos poético-filosóficas:
Gazy Andraus

Matheus Moura Silva, Edgar Silveira Franco

Neste artigo apresentamos o artista mineiro Gazy Andraus, que tem como destaque a produção de histórias em quadrinhos do gênero poético-filosófico – que são HQs necessariamente feitas para incitar o leitor a pensar, inovadoras e vanguardista em forma e conteúdo. Os pressupostos teóricos visam aproximar o processo do autor com os descritos por artistas pesquisadores como Fayga Ostrower, Stephen Natchmanovitch, Rollo May e Cecília Salles. Os quadrinhos de Andraus se destacam, ainda, pela força poética e hermética de expressão, com influência de teorias quânticas, neurociência e artes.

***

Quadrinhos como labirinto:
prolegômenos de uma poética das histórias em quadrinhos

Raimundo Clemente Lima Neto, Selma Regina Nunes Oliveira

Este artigo tem a intenção montar uma imagem do processo de construção de sentido dentro das páginas de uma História em Quadrinhos, tendo como base as noções de poética do imaginário de Durand e Bachelard, que permita levantar subsídios para uma descrição interpretativa das tiras do blog Manual do Minotauro, de Laerte Coutinho, de modo a evidenciar uma poética das HQ.

***

O mestre dos sonhos contra as tecelãs da intriga:
uma leitura meta narrativa de Sandman de Neil Gaiman

Marcelo Bolshaw Gomes

Pretendem-se aqui ressaltar alguns aspectos narrativos neobarrocos na série de histórias em quadrinhos Sandman do escritor inglês contemporâneo Neil Gaiman: a multiplicidade dos universos, a ausência de um antagonista evidente, a morte como personagem e, principalmente, a luta do protagonista com as estruturas narrativas do tempo, personificado na reinvenção contemporânea do mito das três moiras do destino, as tecelãs da intriga, arqui-inimigas do anti-herói pós-moderno.

***

Caricatura: gênero do discurso ou recurso estilístico?
Alex Caldas Simões

A caricatura é um gênero discursivo ou apenas um recurso estilístico de apresentação dos gêneros dos quadrinhos? Há alguma relação entre os gêneros dos quadrinhos e a caricatura? Pautados no aporte teórico-metodológico dos estudos de gênero vinculados à Linguística Sistêmico-Funcional (LSF) e aos quadrinhos, concluímos que a caricatura é um gênero discursivo e não um recurso estilístico, uma vez que esta se constitui por meio de uma linguagem verbal (palavra) e visual (imagem) utilizada em uma interação social específica, com uma organização própria e um propósito social definido. Ainda podemos dizer que a caricatura, enquanto gênero discursivo, é constituída
pela semiótica dos quadrinhos. Esse fato, portanto, associa a caricatura aos quadrinhos.

***

Duas linhas para a caracterização do mito em Homem-Aranha:
Barthes e Campbell

Jean Machado Senhorinho, Juliana Peterman

O trabalho propõe a caracterização do mito em Homem-Aranha, a fim de demonstrar a complexidade da mensagem nas histórias em quadrinhos (HQ) e aprofundar os estudos no campo da comunicação. Os processos para evidenciar a mitificação do personagem são realizados com base na semiologia de Barthes e no monomito para Campbell. O artigo é o primeiro passo para tensionamentos acerca da presença do mito em nossas vidas, a partir das histórias em quadrinhos de super-heróis. O mito serve como modelo de conduta e (des)organizante social. Ele oferece um guia moral para a sociedade encontrar-se, mas também naturaliza a história; o que pode se revelar oportuno para certos sistemas ideológicos.

***

Representações e valores no universo ficcional de Recruta Zero
Nildo Viana

O artigo aborda o universo ficcional de Recruta Zero e seu objetivo é identificar e analisar as representações e valores presentes no mesmo. Partimos do método dialético, cujo processo analítico consiste em reconstituir o universo ficcional como uma totalidade e utilizar elementos complementares extraficcionais, para descobrir os valores e representações presentes nas estórias do Recruta Zero. As conclusões são a de que os valores presentes neste universo ficcional são manifestos pelo personagem Recruta Zero, sendo predominantemente implícitos e revelados pelos seus desvalores, especialmente a recusa do trabalho, da disciplina, da hierarquia, e as representações se manifestam sob a forma de uma crítica social pessimista, pois é fragmentária e não apresenta nenhum projeto alternativo.

***

Importância dos fanzines eletrônicos para a identidade musical brasileira
Cíntia Alves Gonçalves

O artigo investiga como os fanzines eletrônicos podem contribuir para a propagação da diversidade musical brasileira. Parte-se da constatação que os fanzines digitais desempenham um importante papel na divulgação da música não-comercial. O objetivo deste estudo consiste em mostrar que um fanzine eletrônico pode reverter substancialmente o quadro de pessoas, sobretudo jovens, que sofrem influência da mídia e deixam de desfrutar a diversidade musical.

***

Resenha - Os quadrinhos na era digital:
HQtrônicas, webcomics e cultura participativa

Marcelo Soares de Lima

O advento da internet e sua cultura digital modificou de forma intensa a produção
midiática nesse novo século que ainda se constrói. Seja na concepção de um produto, sua construção ou distribuição, o formato virtual atrai cada vez mais não só publico como produtores. No universo das histórias em quadrinhos essa mudança gerou
um debate sobre até onde no ambiente digital podemos chamar uma HQ de HQ mesmo ou se ela se torna algo diferente.

***

Edição completa em pdf: imaginario-5


Imaginário! 5 - Paraíba, dezembro de 2013
P
ublicação do Grupo de Pesquisa em História em Quadrinhos - GPHQ, do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal da Paraíba.

Editor: Henrique Magalhães
Editoração: H. Magalhães
Ilustração da capa: Paloma Diniz, sobre a capa do fanzine Briograficzine n.0, de Elydio dos Santos Neto

Conselho editorial
Alberto Pessoa - UFPB; Edgar Franco - UFG; Henrique Magalhães - UFPB;
Gazy Andraus - UNIMESP; Marcelo Bolshaw - UFRN; Marcos Nicolau - UFPB

Os textos não assinados são de autoria do editor. As colaborações em textos, ilustrações e quadrinhos são propriedade e responsabilidade dos autores.

Colaboram nesta edição: Alessandro Reinaldo, Alex Caldas Simões, Cíntia Alves Gonçalves, Edgar Silveira Franco, Ivan Carlo de Oliveira, Jean Machado Senhorinho, Juliana Peterman Marcelo Bolshaw, Marcelo Soares de Lima, Matheus Moura Silva, Nildo Viana, Paloma Diniz, Raimundo Clemente Lima Neto, Selma Regina Nunes Oliveira

Equipe editorial: Alessandro Reinaldo, Alex de Souza,
H. Magalhães, José Cícero da Silva, Marcelo Soares e Paloma Diniz

Atenção: As imagens usadas neste trabalho o são para efeito de estudo,
de acordo com o artigo 46 da lei 9610, sendo garantida a propriedade das mesmas
aos seus criadores ou detentores de direitos autorais.