Imaginário!
Issn 2237-6933

N. 4 - Junho de 2013

Editor: Henrique Magalhães
Ilustração da capa: Paloma Diniz
Editoração: H. Magalhães


Marca de Fantasia
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A editora Marca de Fantasia é uma atividade da Associação Marca de Fantasia, CNPJ 19391836/0001-92
e um projeto do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFPB



Imaginário! 4

Um mundo imaginário

Objetivo fundamental da pós-graduação, a pesquisa científica se concretiza nas dissertações e teses, além dos artigos cadêmicos, que servem de etapa no constructo daqueles trabalhos, e resultado da aprendizagem disciplinar. Em paralelo, mas
não menos importante, os grupos de pesquisa reúnem alunos e professores em torno de sujeitos preferenciais, focando e enfatizando certos aspectos particulares.

O Mestrado em Comunicação da UFPB conta com vários grupos de pesquisa, que fomentam inúmeros trabalhos ora apresentados em eventos acadêmicos em nível nacional e internacional, ora publicados em revistas especializadas dos mais diversos centros universitários. Dentre os grupos da casa, o Grupo de Pesquisa em Humor, Quadrinhos e Games – GP-HQG da ênfase às especificidades dessas linguagens visuais e suas interações.

Um dos frutos do grupo, que se dedica também à promoção eventos, é a edição da revista Imaginário!, revista eletrônica semestral que reúne trabalhos de Doutores, Mestres e pesquisadores de todo o país ligados a Comunicação, Artes Visuais, História em Quadrinhos, Humor gráfico, animação, videogames e outras manifestações gráficovisuais da cultura Pop, como os fanzines, a ficção científica e séries televisivas. É um amplo universo de investigação que tem como ponto em comum as narrativas visuais.

A Imaginário! em sua quarta edição, traz como matéria de capa artigo da historiadora Renata Andrade acerca do Subdesenvolvimento e Imperialismo na América Latina durante o período da Guerra Fria a partir da análise das tirinhas de Mafalda, do cartunista argentino Quino. Já Alexandro de Souza, mestrando de Comunicação da UFPB, faz um estudo sobre o uso da cor na adaptação do western spaghetti para os quadrinhos, comparando os planos dos duelos no filme Por um punhado de dólares, e a HQ Loveless – Terra sem lei.

Amaro Braga, Professor do Instituto de Ciências Sociais da Universidade Federal de Alagoas, analisa o projeto editorial e concepção visual nas capas de Sandman, com estudo de caso do arco de histórias “Prelúdios e noturnos”. Ivan Carlo de Oliveira, quadrinista conhecido como Gian Danton e Professor do Curso de Jornalismo da Universidade Federal do Amapá, apresenta estudo sobre o texto nas Histórias em Quadrinhos, disciplina em que tem se tornado especialista.

Marcelo Bolshaw, Professor do Programa de Pós Graduação em Estudos da Mídia da UFRN, faz uma instigante comparação do pensamento-design de Vilém Flusser com as ideias do escritor-gráfico Alan Moore, demonstrando suas semelhanças singulares, suas diferenças de perspectiva e, principalmente, sua complementaridade involuntária em relação às noções de “narrativa” e de “imagem”.

O humor na charge mineira é o tema de Eliane Meire Raslan, doutoranda em Comunicação Social da PUCRS, Professora da UEMG e Ana Luiza Guimarães, graduanda do curso de Design Gráfico da UEMG. Marco Antonio Milani, mestrando em História pela UNESP, aborda os fanzines brasileiros quanto à leitura e ao discurso. Por fim, Oscar William Costa, Especialista em Política e Gestão Pública pela Universidade Federal de Campina Grande, apresenta sua resenha sobre o livro Introdução política aos quadrinhos, do estudioso Moacy Cirne.

Este é o cardápio da Imaginário!, que mantém sua preocupação editorial de difundir os estudos acadêmicos sobre os quadrinhos e demais artes visuais afins. A revista garante sua periodicidade semestral e convida os pesquisadores nessas artes a participar de nosso projeto de valorização à pesquisa.
Henrique Magalhães

Apresentamos, a seguir, o resumo dos artigos; a revista completa em pdf encontra-se em link no final da seção.

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Entre o humor e a política:
debate sobre imperialismo e subdesenvolvimento nas tirinhas de Mafalda

Renata dos Santos Andrade1

O presente artigo tem como objetivo debater o tratamento de questões acerca do Subdesenvolvimento e Imperialismo na América Latina durante o período da Guerra Fria,
nas tirinhas de Mafalda do cartunista argentino Quino. Com o intuito de maior aproveitamento
no debate sobre os dois temas propostos, utilizaremos como arcabouço teórico os seguintes autores: Furtado (1978), Ianni (1974) e Hobsbawn (1995). Para a metodologia de análise estaremos amparados em autores da análise da linguagem/discurso.

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O uso da cor na adaptação do western spaghetti para os quadrinhos
Alexandro Carlos de Borges Souza

Um fenômeno restrito às décadas de 1960 e 1970, o faroeste italiano, ou western spaghetti, promoveu uma revolução num gênero cinematográfico tipicamente norte-americano, com inovações técnicas e temáticas que marcaram a produção posterior nos Estados Unidos. Por outro lado, os faroestes italianos ofereceram pouca influência nos quadrinhos norte-americanos, mídia em que também é um gênero clássico.
E, por sua vez, os quadrinhos italianos de faroeste preferiram humanizar o gênero, mantendo um diálogo mais intenso com os filmes norte-americanos do período. A série Loveless – Terra sem lei resgata esse legado do cinema italiano, aprofundando as relações linguísticas entre o cinema e os quadrinhos ao dar à cor a mesma função desempenhada pela música nos filmes, um elemento fundamental para a mitologia do gênero. A metodologia de estudo baseou-se numa análise comparativa entre os planos dos duelos no filme Por um punhado de dólares, obra inaugural do western spaghetti, e as primeiras 10 páginas de Loveless.

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Projeto editorial e concepção visual nas capas de Sandman:
um estudo de caso em "Prelúdios e Noturnos"

Amaro Xavier Braga JR

O artigo analisa, a partir de elementos de sintaxe visual e análise imagética, o processo de editoração das capas de Prelúdios e Noturnos, primeiro arco da série em quadrinhos Sandman, apresentando a concepção editorial presente nas capas e buscando estabelecer uma taxionomia do processo criativo na concepção das capas de histórias em quadrinhos. Relaciona as múltiplas influências das artes visuais, como o neodadaísmo e a assemblage, às técnicas utilizadas pelo artista. Conclui destacando como o conceito de montagem é importante para compreender a relação entre as capas das HQs e os conteúdos das histórias nestas revistas.

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O texto nas histórias em quadrinhos
Ivan Carlo Andrade de Oliveira

O artigo apresenta as características do texto nas histórias em quadrinhos, diferenciando-o do cinema e da literatura. Ao mesmo tempo, apresenta um pouco da experiência do autor com as técnicas relacionadas ao uso do texto na nona arte.

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Humor na charge mineira
Eliane Meire Soares Raslan, Ana Luiza Pereira Guimarães

Este artigo tem como proposta analisar o uso do humor nas charges dos mineiros Eduardo dos Reis Evangelista (Duke) e Edson Junior (Dum) publicadas no Estado de Minas Gerais, objetivando assim, compreender o efeito do humor provocado pelos autores em seus trabalhos ao retratar fatos cotidianos, bem como as conexões que os mesmos estabelecem com os leitores, por meio dos elementos visuais e textuais presentes nas temáticas abordadas por cada autor. Baseada no estudo de obras publicadas pelos chargistas e visitas à palestra e exposição de seus trabalhos, esta análise
busca ainda, evidenciar a importância do caráter opinativo da charge e de sua ligação com o contexto em que foram criadas, visando assim estimular novas propostas que abordem a produção de charges em Minas como objeto de estudo e ensino.

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O místico e o feiticeiro:
contrapontos entre imagem técnica e narrativa sequencial

Marcelo Bolshaw Gomes

Este texto compara – utilizando-se de uma analogia proposta a partir da cabala – o pensamento-design de Vilém Flusser com as ideias do escritor-gráfico Alan Moore, demonstrando suas semelhanças singulares, suas diferenças de perspectiva e, principalmente, a sua complementaridade involuntária em relação às noções de “narrativa” e de “imagem” – para nós, fundamentos gêmeos para definição teórica de “Arte Sequencial”.

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Fanzines brasileiros, leitura e discurso
Marco Antonio Milani

Quatro folhas de papel dobradas ao meio se empilham alinhadas pela lombada, formando uma espécie de livreto. Aquilo que se compreende como a capa, segundo o formato do livro ocidental, o códex, ostenta uma fotografia esfumada pela fotocópia, assim como todo o restante do volume. Trata-se do retrato de um jovem, usando o corte de cabelo moicano, calças jeans justas, cinto e pulseira transpassados por uma centena de tachas. No peito, a camiseta apresenta uma estampa do filme The Warriors.
A imagem de fundo, uma escada em perspectiva lateral, cria uma composição marcante com linhas diagonais que dão movimento à imagem e a tornam vertiginosa. No canto superior direito da imagem, a colagem de letras recortadas de impressos distintos dá a ler “Absurdo? Fanzine”, o primeiro “A” é o conhecido e repetido símbolo do anarquismo. No canto inferior esquerdo lê-se em branco, contrastando com fundo preto criado pela fotografia, “OUT 86 Nº 1”. Acima dela, discretamente escrito à mão, “Paula...”.

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Resenha - Uma introdução política aos quadrinhos
Oscar William Simões Costa

Uma Introdução Política aos Quadrinhos é uma obra do poeta, artista visual e professor-aposentado do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense (UFF) Moacy Cirne (1943), considerado o maior estudioso brasileiro das histórias em quadrinhos.
Partindo da premissa do filósofo francês Louis Althusser de que “não existem quadrinhos inocentes”, Cirne introduz sua obra discutindo importantes questões sobre a relação histórica entre ideologia, discurso e a linguagem sequencial das histórias em quadrinhos no Brasil e no mundo, demonstrando a relevância da consciência crítica por aqueles que se ocupam desta arte, segundo suas observações. Neste sentido, Cirne (1982, p.18) afirma que “...O discurso quadrinizado deve ser entendido com uma prática significante e, mais ainda, como um prática social que se relaciona com processo histórico e o projeto político de uma dada sociedade”.

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Edição completa em pdf: imaginario-4


Imaginário! 4 - Paraíba, junho de 2013
P
ublicação do Grupo de Pesquisa em História em Quadrinhos - GPHQ, do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal da Paraíba.

Editor: Henrique Magalhães
Editoração: H. Magalhães, sobre projeto gráfico de Alex de Souza
Ilustração da capa: Paloma Diniz, rotoscopia e
releitura de Quino

Conselho editorial

Alberto Pessoa (UFPB); Elydio dos Santos Neto (UFPB); Gazy Andraus (UNIMESP); Henrique Magalhães (UFPB); Marcelo Bolshaw Gomes (UFRN); Marcos Nicolau (UFPB); Paulo Ramos (UNIFESP); Roberto Elísio dos Santos (USCS/SP)

Os textos não assinados são de autoria do editor. As colaborações em textos, ilustrações e quadrinhos são propriedade e responsabilidade dos autores.

Colaboram nesta edição: Alexandro de Souza, Amaro Braga, Ana Luiza Guimarães, Eliane
Meire Raslan, Ivan Carlo de Oliveira, Marcelo Bolshaw, Marco Antonio Milani, Oscar
William Costa, Paloma Diniz, Renata Andrade.

Equipe editorial: Alessandro Reinaldo, Alex de Souza,
Elydio dos Santos Neto, H. Magalhães, Marcelo Soares e Paloma Diniz

Atenção: As imagens usadas neste trabalho o são para efeito de estudo, de acordo com o artigo 46 da lei 9610, sendo garantida a propriedade das mesmas aos seus criadores ou detentores de direitos autorais.