O CORPO
é Discurso

N. 29
22 de fevereiro de 2014
Vitória da Conquista, BA. Brasil

ISSN 2236-8221

Jornal do Labedisco
Laboratório de Estudos do Discurso e do Corpo, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Editores:
Nilton Milanez e Tyrone Chaves Filho
Organizador: Tyrone Chaves Filho

Edição online pela Marca de Fantasia: Henrique Magalhães

Conselho editorial:
Dr. Elmo José dos Santos (UFBA)
Dra. Flávia Zanutto (UEM)
Dra. Ivânia Neves (UFPA)
Dra. Ivone Tavares Lucena (UFPB)
Profa. Dra. Maria das Graças Fonseca Andrade (UESB)
Dra. Mônica da Silva Cruz (UFMA)
Prof. Dr. Nilton Milanez (UESB)
Profa. Dra. Simone Hashiguti (UFU)

Contatos:
Telefone (horário comercial): (+55) (77) 3425-9392 e falar com Thays

Email:
labedisco.uesb@gmail.com
ocorpoediscurso@gmail.com

Skype:  “Labedisco”

O Corpo é Discurso é uma parceria com a editora Marca de Fantasia e está hospedado no sítio www.marcadefantasia.com


Edições anteriores

O corpo é Discurso 17
O corpo é Discurso 18
O corpo é Discurso 19

Outras edições em pdf solicite ao Labedisco:

ocorpoediscurso@gmail.com










O corpo é discurso é o primeiro jornal eletrônico
de popularização científica da Bahia

O Corpo é Discurso

Nesta edição, O Corpo é discurso apresenta o GPELD - Grupo de Pesquisa em Linguagem e Discurso. Além disso, O Corpo traz uma entrevista com Adilson Ventura, professor do Departamento de Estudos Linguísticos e Literários da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, um artigo de Karoline Machado e Regina Baracuhy, da Universidade Federal da Paraíba, um artigo de George Lima, da Universidade do Estado da Bahia, um artigo de Edgley Freire Tavares e Francisco Paulo da Silva, da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte e notícias ligadas ao universo acadêmico e da Análise do Discurso, no Brasil.

Acesse o site do Labedisco: www2.uesb.br/labedisco


GPELD: Grupo de Pesquisa em Linguagem e Discurso do Maranhão

Histórico
O Grupo de Pesquisa em Linguagem e Discurso do Maranhão (GPELD), do Departamento de Letras, da Universidade Federal do Maranhão é certificado pelo CNPq e integra o Núcleo de Estudos e Pesquisa em Linguagem, Cultura e Identidade-NEPLiCI. O GPELD é coordenado pelas professoras Ilza Galvão Cutrim (líder) e Mônica da Silva Cruz. Os debates promovidos pelo Grupo objetivam verificar, na relação entre língua, história e memória, como os discursos e as identidades irrompem em diferentes épocas (FOUCAULT, 2008), configurando olhares que se movimentam nas linhas sinuosas da história, instaurando identidades e silenciando memórias, pelo controle de sentidos e heterogeneidades que se materializam em várias e distintas vozes.

O grupo
O GPELD foi formado em 2008 e reúne professores pesquisadores e alunos dos cursos de Letras e Turismo de diversas instituições. As atividades visam a levar os pesquisadores a debaterem temas concernentes a suas áreas de atuação, fomentar conhecimentos e divulgar resultados entre a comunidade acadêmica. As linhas de pesquisa são: a) ensino e aprendizagem de línguas; b) estudos linguísticos e culturais; c) literatura e outros saberes; d) discurso, história e memória; e) patrimônio, cultura e representações identitárias. Um dos eixos temáticos do Grupo são as discussões sobre a relação entre discursos e a construção das identidades locais, na atualidade. No GPELD, os processos discursivos que instauram identidades são avaliados em lugares como o da cultura, em suas amplas manifestações, patrimônio, educação, turismo, literatura, etc., pois se entende que os conceitos são formados por práticas diversas e dentro do próprio discurso. Os trabalhos que o Grupo de Pesquisa em Linguagem e Discurso desenvolve buscam as noções de discurso e sua articulação com os conceitos de memória e identidades, escavam genealogias de discursos, avaliam a circulação e as interpretações de certos dizeres, em diferentes perspectivas e materialidades. A cidade, documentos oficiais, artigos jornalísticos, propagandas, mapas são avaliados como produções históricas e políticas, na medida em que a linguagem constitui práticas.

Objetivos
O GPELD constitui-se em um espaço de estudos, elaboração de projetos de pesquisa e extensão universitária, com o objetivo de promover o fortalecimento do processo de ensino-aprendizagem dos discentes e docentes. Objetiva, dentre outras coisas, estabelecer interlocução com outros pesquisadores e grupos de pesquisa visando ao aprimoramento dos interesses teóricos e metodológicos do grupo. A principal linha de pesquisa – Discurso, história e memória – tem como objetivo estudar processos de leitura que concebem o texto como um elemento atravessado pela História, pelo social, pelo ideológico, e vê o leitor como um sujeito produtor de sentidos, instaurado em um contexto também histórico, social, ideológico.

As reuniões
As reuniões do grupo acontecem quinzenalmente. Os textos são pré-selecionados para leitura. Atualmente o GPELD está lendo Arqueologia do Saber, de Michel Foucault. 

Produção
Em 2012 o GPELD promoveu o I Seminário Linguagens, Discursos e Identidades, em âmbito nacional. O Seminário contou com a presença das professoras Maria do Rosário Gregolin (UNESP), na conferência de abertura, e Luzia Neide Coriolano (UEC), na segunda conferência. Atualmente, o grupo está realizando o I Ciclo de Estudos do Discurso: Foucault e a Arqueologia. O Grupo realiza outras atividades como participação em congressos nacionais e internacionais, publicações em periódicos, anais de congressos (conferir o Currículo Lattes dos integrantes). Em 2013, o GPELD promoveu a publicação do livro “Messias de papel: a construção discursiva da candidata Roseana Sarney (2009-2010) pelos editoriais de O Estado do Maranhão”, resultado da dissertação de mestrado de um de seus membros. Maiores informações sobre o Grupo, acesse gpeldufma.blogspot.com.br.


Pesquisadores do GPELD


O Corpo entrevista Adilson Ventura

 


"Tudo na língua é argumentação, menos a poesia"

O Corpo: Sabemos que no seu mestrado e depois no doutorado, o senhor trabalhou com poesia dentro dos estudos da linguagem. O senhor poderia nos explicar como esses trabalhos se desenvolveram?

Adilson Ventura: O que motivou estas pesquisas foi uma questão posta pelo semanticista Eduardo Guimarães em uma aula em que ele retoma Ducrot (linguista francês), para quem tudo na língua é argumentação, menos a poesia. Partindo disso, fui estudar o pensamento de Ducrot para tentar entender o porquê dessa posição. Depois, no doutorado, ampliei a questão, devido a pouca produção de estudos linguísticos envolvendo alguma questão relacionada à Literatura. Assim fui observar em alguns estudiosos da linguagem o modo como tratam a poesia. Este estudo mostrou uma grande divergência, pois alguns estudiosos consideram a poesia um lugar privilegiado para os estudos linguísticos, enquanto outros não levam em conta a poesia. Este estudo me permitiu observar que a poesia é um lugar importante para estudar a linguagem, além, é claro, de ter me permitido trabalhar com duas coisas que gosto ao mesmo tempo.

O Corpo: Como se dá o processo criativo dos seus poemas? Racional e meticuloso, como um linguista, ou, como os românticos, fruto da inspiração?

Adilson Ventura: Bom, quanto ao meu processo criativo, costumo dizer que é muito maluco. Ele começa com uma inspiração, de preferência nos lugares mais inusitados (por isso o hábito de andar com um bloquinho e uma caneta). Quando não tenho como anotar (como, às vezes, em meio a uma aula), fico repetindo e memorizando até poder escrever. As inspirações geralmente começam a partir de alguma imagem que vejo ou senão com a combinação de alguns sons.

O Corpo: Quais são as suas principais referências literárias  brasileiras e internacionais?

Adilson Ventura: Gosto muito de sempre conhecer novos escritores (não no sentido de serem novos, mas de que eu ainda não conhecia). Mas sempre volto a alguns autores, principalmente Carlos Drummond de Andrade e, principalmente, Fernando Pessoa.

O Corpo: Como o senhor visualiza o panorama da poesia no Brasil hoje?

Adilson Ventura: Essa é uma questão realmente complicada, pois, no Brasil, temos vários e vários poetas novos. Porém, há a necessidade de se ter mais espaços para circulação de poesias e assim se conquistar mais leitores o que, por sua vez, criará mais espaço e incentivo de mais bons poetas aparecerem. Ou seja, apesar de sempre surgir muitos poetas, temos que quebrar este círculo vicioso para que a poesia tenha mais espaço.

 

Sinto-me caído em um sonho de Buñuel
com paisagens delirantes de Salvador Dali
esqueço meu nome e grito contente com um transeunte cadáver
que recorta a minha sombra e derrete relógios
e destrói o tempo
Uma mariposa nasce e formigas constroem túneis
fico sem minha mão e brigo comigo ao ver
minhas atitudes meus desejos minha paralisia

Não suporto o desprezo mas corro para a rua e caio
minhas roupas foram jogadas fora e uma multidão se formou
Não quero mais nada repinto sons e as cores voltam
Acordei, é certo, mas o que vale tudo isso
despisto meu desejo e componho uma canção
faço dessa religião um novo (des)compasso
O cansaço chegou: viva!
Mortos podres pobres mortos podres que invadem sonhos alheios
(des)enterraram uma caixa que estava bem
Estacionada no fundo de um inconsciente bem (in)(e)estável
Coveiro distraído que não protege seus pertences
Resistência!
Gosto de palavras de ordem por sua específica (in)utilidade
e que fica ecoando em gritos em gritos em gritos...
não reconheço  meu (auto)retrato elitizado
pois já não são meus olhos que sorriem

Te vi correndo na praia esperando a próxima onda
que se aproxima com a primavera entre os dentes
enchentes!
Cheio de esperanças vazias joguei fora meus sentimentos
e rompi um lacre (in)desejável
e morri arrastado por um louco instável que se encontrou consigo mesmo

Uma música constante toca no ar
e perdi minha boca minha voz

Adilson Ventura
16/06/2011


Corpo, memória e imagem: construções identitárias para o sujeito mulher no discurso turístico oficial brasileiro

Karoline Machado (1)
Regina Baracuhy (2)

Introdução

A identidade é uma construção discursiva, que adquire sentido por meio de sistemas simbólicos (WOODWARD, 2008). Então, nesse clima de Copa do Mundo no Brasil, muito se discute acerca desses vários símbolos que compõem a identidade do país. Seriam eles o futebol, o carnaval, o samba e a bunda da brasileira?

A exposição do corpo seminu da mulher está em evidência na mídia, seja na televisão, internet e em revistas, jornais e outdoors, encontramos em toda parte. Podemos visualizá-lo em propagandas, novelas, filmes e reportagens. Os meios de comunicação de massa exercem uma função central, no sentido de dar ainda mais vazão aos discursos que repetem incessantemente essa adoração ao corpo.

As propagandas turísticas brasileiras oficiais – cujo órgão do governo responsável pela promoção, marketing e apoio à comercialização dos destinos, serviços e produtos turísticos do Brasil é a EMBRATUR – seguem a mesma tendência de “espetacularização” do corpo propagada pela mídia, principalmente nas campanhas que circularam nas décadas de 1970 e 1980, ou seja, mesmo com toda a diversidade de imagens presentes nessas propagandas, algumas regularidades discursivas chamam a atenção, e uma delas, senão a principal, diz respeito à superexposição da imagem de corpos seminus de mulheres. Dessa forma, ao fixar uma imagem estereotipada da mulher brasileira no discurso turístico oficial, podemos dizer que a EMBRATUR contribuiu na construção de uma identidade do Brasil e da brasileira pautada em estereótipos e silenciamentos.

A Análise do Discurso (AD) é o aporte utilizado para a fundamentação teórica deste texto, pois nos proporciona a base para compreendermos “o modo como um objeto simbólico produz sentidos, não a partir de um mero gesto de decodificação, mas como um procedimento que desvenda a historicidade contida na linguagem” (FERREIRA, 2003, p. 202). Utilizamos os Estudos Culturais para tratar da identidade e o conceito de corpo enquanto superfície de inscrição dos acontecimentos (FOUCAULT, 2012).

Para a AD, os sentidos não estão impregnados nas palavras, a transparência é um efeito de sentido, posto que os sentidos são constitutivamente opacos (PÊCHEUX & FUCHS, 1990). Desse modo, os ruídos, as ambiguidades, as faltas, o duplo sentido não são considerados “erros”, mas inerentes à linguagem do sujeito. Vale ressaltar que os sentidos jamais podem ser apreendidos em sua totalidade, sempre podem ser outros, sempre podem derivar, porque são históricos. “Os sentidos nunca se dão em definitivo; existem sempre aberturas por onde é possível o movimento da contradição, do deslocamento e da polêmica” (GREGOLIN, 2001, p. 61).

Corpo, memória e imagem

Na terceira época da AD, Pêcheux reformulou o conceito de Discurso para estrutura (materialidade linguística) e acontecimento (dimensão sócio-histórica) (PÊCHEUX, 2012). Por isso, para analisarmos um dado discurso, precisamos antes compreender em que momento histórico, ele teve as condições de possibilidade para sua irrupção.

Para analisarmos o processo de construção identitária do sujeito mulher no discurso da propaganda turística oficial, é imprescindível recuperarmos os acontecimentos que incidiram sobre o discurso turístico no momento de sua realização, pois, durante mudanças econômicas e sociais pode-se haver uma crise de identidade e, então, entra o papel das promoções de marketing na construção de novas identidades (WOODWARD, 2000).

Nosso recorte temporal é o do final da década de 1970, porque foi um período de profundas transformações sócio-históricas vivenciadas no Brasil, um período de “crise de identidade”, como denominou Woodward, quando tivemos o fim da ditadura militar e da censura, as eleições diretas, a abertura do comércio aos produtos estrangeiros, o acesso à internet; período que representou uma abertura e uma transformação social nos modos de pensar e dizer a sexualidade da mulher; e foi neste período também que o Brasil despontou como um dos principais destinos de turismo sexual do mundo.

Desde o início, quando a EMBRATUR foi criada, em 1966, ano que marca também o início da promoção turística oficial do país e da preocupação de se construir uma identidade brasileira no exterior, houve um elemento que se sobressaía no discurso das primeiras propagandas turísticas oficiais: o corpo da mulher brasileira. Isso se deve ao fato da EMBRATUR querer lançar ‘O Carnaval do Brasil’ no exterior (ALFONSO, 2006).

Com o objetivo de ilustrarmos as reflexões levantadas nesse texto, faremos uma breve análise da figura 1, a seguir. Essa propaganda da EMBRATUR faz parte da campanha “Brasileiro: descubra o Brasil”, veiculada na revista Veja, ao longo do ano de 1976. Algumas regularidades são perceptíveis nessa campanha: deparamo-nos com imagens de um país rico em diversidade natural e cultural, e, em meio a imagens de pontos turísticos brasileiros, surge o corpo bronzeado e seminu de uma mulher, com toda a sensualidade tropical, remetendo à memória de enunciados extraídos de discursos outros, do apelo sexual e do convite à sedução. Seu rosto quase não é visto, o destaque é o corpo. Essa materialidade imagética se articula à materialidade linguística, logo abaixo da imagem, “Garota de Ipanema, Itapuã, Camboriú e Guarapari”, ou seja, temos o corpo enquanto objeto de representação (FOUCAULT, 1999), simbolizando não só a garota de Ipanema, mas as brasileiras como um todo.

Figura 1: Brasileiro: descubra o Brasil

Fonte: Acervo digital da Veja, ed. 406, de 06/06/1976

Os enunciados “Descubra o Brasil”, acima, e “Descobrir o Brasil de repente virou moda”, ao lado, remetem à memória discursiva da descoberta do Brasil, do colonizador e do selvagem, do índio nu, da índia como “objeto” dos seus colonizadores etc. Se por um lado, as imagens adquirem legitimidade porque remetem a uma memória histórica (WOODWARD, 2008); por outro lado reiteram estereótipos e preconceitos, ratificando a construção identitária da mulher como objeto de consumo e do Brasil como o país do hedonismo, do turismo sexual.

Dando um efeito de fim

Como a representação da mulher nas campanhas remetia ao consumo do sexo, então questionamos qual era o produto que a propaganda destinava-se a vender: o destino turístico ou o sexo? No caso do Brasil, esse discurso culminou com o agravamento de outro segmento de turismo, o turismo sexual, caracterizado como crime.
No entanto, a regularização discursiva “é sempre suscetível de ruir sob o peso do acontecimento novo” (GREGOLIN, 2001, p. 73) e, na contramão de toda essa acentuada exposição do corpo da mulher na mídia, hoje, utilizando-se do discurso do politicamente correto, os órgãos oficiais trabalham no reposicionamento da imagem do Brasil, como forma de coibir esse tipo de crime, interditando o corpo seminu no discurso turístico brasileiro e estabelecendo, assim, uma nova ordem discursiva para o corpo do sujeito mulher.

Referências

ALFONSO, Louise Prado. EMBRATUR: formadora de imagens da nação brasileira. 139f. Dissertação (Mestrado em Antropologia Social)-Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Unicamp, Campinas: SP, 2006.

FERREIRA, Maria Cristina Leandro. Nas trilhas do discurso: a propósito de leitura, sentido e interpretação. In: ORLANDI, Eni Puccinelli. (org.) A leitura e os leitores. 2 ed. Campinas, SP: Pontes, 2003. pp. 201-208.

FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. 25 ed. São Paulo: Graal, 2012.

FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Tradução de Raquel Ramalhete. 20 ed. Petrópolis: Editora Vozes, 1999.

GREGOLIN, Maria do Rosário Valencise. Sentido, sujeito e memória: com o que sonha nossa vã autoria? In: GREGOLIN, Maria do Rosário Valencise; BARONAS, Roberto Leiser, (orgs.). Análise do discurso: as materialidades do sentido. São Carlos, SP: Claraluz, 2001. pp. 60-78.

PÊCHEUX, Michel; FUCHS, C. A propósito da análise automática do discurso: atualização e perspectivas (1975). In: GADET, Françoise; HAK, Tony. (orgs.). Por uma análise automática do discurso: uma introdução à obra de Michel Pêcheux. Tradução de Bethania S. Marlani et al. Campinas, SP: Editora da UNICAMP, 1990. pp. 163-171.

PÊCHEUX, Michel. O discurso: estrutura ou acontecimento. Tradução de Eni Puccinelli Orlandi. 6 ed. Campinas, SP: Pontes Editores, 2012.

WOODWARD, Kathryn. Identidade e diferença: uma introdução teórica e conceitual. In: SILVA, Tomaz Tadeu da (org.); HALL, Stuart; WOODWARD, Kathryn. Identidade e diferença: a perspectiva dos estudos culturais. Petrópolis, RJ: Vozes, 2000.

(1) Mestranda do Programa de Pós-graduação em Linguística (PROLING) da Universidade Federal da Paraíba.
(2) Professora Doutora da Universidade Federal da Paraíba.


Semioses da morte em Morte e vida severina

George Lima (1)

A pesquisaque originou este texto visou compreender processos semióticos entre linguagens, mais precisamente entender a inter-relação entre o poema dramático Morte e Vida Severina, escrito por João Cabral de Melo Neto, e o desenho animado homônimo, dirigido por Afonso Serpa, o que configura este texto como uma versão adaptada e resumida das informações gerais que compõem a investigação original.

Inicialmente na construção dessa pesquisa, a intensão de nosso trabalho fora entender processos tradutológicos entre o poema dramático e o desenho animado. Entretanto, este objetivo inicial não se tornou suficiente para suprir o fôlego que fundamentava nossa inquietação provocada pela percepção dessas linguagens ao compará-las, pois ainda existia a sensação de haver algum fator determinante que afetava de forma singular a leitura de cada obra; e que esse aspecto não se justificava apenas pela simples e tão só razão de serem dois dispositivos diferentes (literário-poético e fílmico-animado).

Levando em conta essa nossa abordagem, aprofundamos nossas leituras nas vertentes teóricas que fundamentam todo o tratado metodológico desenvolvido por Júlio Plaza (2010), mais precisamente a Semiótica criada pelo cientista-lógico-filosofo norte-americano Charles Sanders Peirce (1839-1914), que, assim sendo, lapidaram nossos aparelhos perceptivos diante das linguagens que nos propusemos analisar. Tais estudos fizeram com que obtivéssemos uma visão mais precisa sobre os motivos que nos deixaram inquietos durante nossas observações iniciais e, consequentemente, identificamos o fenômeno que nos propusemos analisar: a presença marcante e essencial dos signos que representam a morte tanto no poema dramático quanto no desenho animado.

Nesse processo analítico-evolutivo, nasceu nossa proposta de trabalho monográfico, isto é, o objetivo que funciona como coluna vertebral desta pesquisa é investigar em que medida os signos que representam a morte no desenho animado Morte e Vida Severina modificam os significados da morte em contraposição ao poema dramático homônimo.

Morte e Vida Severina é uma das obras mais conhecida de João Cabral de Melo Neto, que conta o trajeto do protagonista Severino. Este personagem é um retirante que sai do interior de Pernambuco em busca de condições melhores de vida e de morte na capital pernambucana (Recife - PE), tendo como guia o rio Capibaribe. No percorrer dessa jornada, o retirante se depara frequentemente com a presença da morte. Esta aparição da morte acontece de vários modos tanto no poema quanto no desenho animado, como foi possível ver em nossas analises.

A morte foi e é um signo muito utilizado em práticas artísticas durante a história da arte nas diversas sociedades. Conceitualmente, ela não se limita apenas à ideia corriqueira de que é o fim da vida. Nossa analise mostra esta evidência. Não é por acaso que muitos estudiosos proferem a ideia de que a morte se trata de um fenômeno de caráter obscuro, tendo em vista o tratamento altamente filosófico e místico que é dado a ela, o que não é nosso objetivo. Desse modo, inicialmente falamos a respeito daquilo que está sendo levado em conta no processo de representação observado por nós, isto é, a morte enquanto fenômeno condicionado à percepção e à utilização em dispositivos sígnicos.

Essa nossa preocupação em trazer à tona a morte como objeto vulnerável a representação antecedeu nossas analises, mostrando algumas características fenomênicas que estiveram/estão/estarão sujeitas a determinar os signos que representam a morte no poema e, também, no desenho animado em analise. Tais observações cumpriram a necessidade de vermos essas características nas dimensões qualitativa, existencial e cultural, que, assim sendo e em certa medida, constituem a morte ipso facto.

Logo em seguida, no segundo momento de nossa pesquisa, vimos de maneira monádica como a morte de fato foi representada no poema dramático e no desenho animado, ou seja, considerando-os singularmente em suas estruturas semióticas, sem compará-los. Estas nossas observações proporcionaram vermos o modo como a morte (objeto representado) mantém relação com os signos que a representam.

Mais precisamente, nossos exames contribuíram na constatação de que os paradigmas representacionais que potencializam o poema dramático cabralino enquanto representamen da morte são aspectos essencialmente e predominantemente icônicos e indiciais; embora haver também uma constatação de representação simbólica. Estas observações mostram que o poema tenta criar imagens a respeito da morte, valendo-se das relações de semelhança e de conexões particulares com aquilo que representa. Cabe aqui citarmos o visualismo como característica estilística das obras produzidas por João Cabral de Melo Neto, referenciado por Braulio Tavares (apud MELO NETO, 2010, p. 7) e Massaud Moisés (2008, p. 321), e, também, os aspectos pitorescos e imagéticos mencionados por Alfredo Bosi (2006, p. 502), que em certa medida corroboram com essas nossas observações.

Nas analises que fizemos do desenho animado, verificamos que a matriz fundamentadora dos representamens da morte é regida essencialmente por signos simbólicos, isto é, foi evidenciado por nós que os signos da morte no desenho animado estão condicionados a agir segundo regras interpretativas norteadas por valores ideológicos. Isto foi comprovado pelo modo como são encarnadas as cores (preto e branco), os elementos usados na personificação da morte, os fenômenos culturais – cruz, ausência, alma, caveira, esqueleto, entre outros –, o modo como são montados os enquadramentos que estruturam os cenários e as maneiras em que as câmeras se movimentam e mantêm determinados níveis do anglo observacional.

Como tínhamos examinado, tais observações do poema e do desenho animado Morte e Vida Severina mostraram que já nos paradigmas de representação da morte há diferenças, modificando a natureza dos signos icônicos e indiciais no poema em signos regidos por signos habituais, convencionais e culturais no desenho animado. Estas constatações funcionaram como informações cruciais no suprimento de nosso objetivo central no presente trabalho, pois, levando em conta a premissa estipulada por Peirce (2010) de que o significado é a característica objetiva do signo, pressupomos que os significados são modificados devido justamente ao devir ou ação do signo.

Examinando os significados objetivados pelos signos que representam a morte, tanto no poema dramático como também no desenho animado, percebemos o modo como estas significações estão condicionadas aos paradigmas de representação da morte em cada uma dessas linguagens, materializando, assim, nosso pressuposto da premissa peirciana apontado no paragrafo anterior.

Deste modo, considerando as instâncias que compõem o método da tradução intersemiótica, chegamos à conclusão de que na medida em que a versão áudio visual do poema cabralino encarna em sua estrutura signos motivados por valores convencionais, predeterminados por um ou vários sistemas culturais, são modificados os significados quando o comparamos com o poema dramático cabralino, tendo em vista que o poema possuinatureza representativa diversificada do desenho animado, isto é, o poema apenas simula características e aponta vertigens de existência da morte.

Futuros trabalhos como este podem ser desenvolvidos no objetivo de delinear se há ou não equivalência de significação entre uma obra original e sua recriação, pois, além de serem fenômenos constantes nas práticas artísticas, possibilitam categorizar os possíveis interpretantes já predeterminados nos signos que arquitetam o material em analise e, também, delinear possíveis impactos causados pelas linguagens em algum público vigente (recepção das obras).

Referências

ARIÈS, Philippe. História da morte no Ocidente: da Idade Média aos nossos dias. Tradução Priscila Viana de Siqueira. Ed. Especial. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2012.

BOSI, Alfredo. João Cabral de Melo Neto. In: História concisa da literatura brasileira. 43ª ed. São Paulo: Cultrix, 2006. p. 502-506.

BOWKER, John Westerdale. Os sentidos da morte. Tradução I. F. L. Ferreira. São Paulo: Paulus, 1955.

MARANHÃO, José Luiz de Souza. O que é morte. 4ª ed. São Paulo: Brasiliense, 2003. (Coleção primeiros passos, 150).

MARTIN, Marcel. A linguagem cinematográfica. São Paulo: Brasiliense, 2003.

MELO NETO, João Cabral de. Morte e Vida Severina e outros poemas. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.

MOISÉS, Massaud. João Cabral de Melo Neto. In: História da literatura brasileira: volume III – Modernismo. 6ª ed. São Paulo: Cultrix, 2008. p. 316-324.

MORTE E VIDA SEVERINA EM DESENHO ANIMADO. Direção: Afonso Serpa. Produção: Alexandre Fishgold; Mario Lellis; Roger Burdino; Maurício Fonteles. Roteiro: Afonso Serpa. OZI escola de informática, 2010. 1 DVD (56 min), son., color. Baseado no poema dramático ―Morte e Vida Severina‖ de João Cabral de Melo Neto.

PEIRCE, Charles Sanders.Semiótica. Tradução de José Teixeira Coelho Neto. 4ª ed. São Paulo: Perspectiva, 2010. (Estudos; 46).

PLAZA, Julio. Tradução Intersemiótica. 2ª ed. São Paulo: Perspectiva, 2010. (Estudos; 93).

SANTAELLA, Lucia. Teoria geral dos signos: como as linguagens significam as coisas. São Paulo: Cengage Learning, 2008.

(1) Graduando em Letras Vernáculas
Universidade do Estado da Bahia - UNEB


Discurso, regularidade e efeito de real
em um folheto de literatura de cordel

Edgley Freire Tavares (1)
Francisco Paulo da Silva (2)

Atualmente a prática de Análise do Discurso vive, digamos, umavirada semiológico históricaquerepresenta um esforço teórico em contemplar no gesto descritivo-interpretativo materialidades discursivas verbais e não verbais.Inserido nesse contexto epistemológico,o GEDUERN – Grupo de Estudos do Discurso da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte vem desenvolvendo reflexões em relação à produção de uma memória discursiva sobre o passado da cidade de Mossoró, naquilo que podemos chamar de formação e funcionamento de um Discurso da Resistência. E isso, de um ponto de vista arqueogenealógico (FOUCAULT, 2007, 2008) significa dizer que na cidade de Mossoró um conjunto de enunciados tematiza a passagem do cangaceiro Lampião, sua invasão e o modo como a cidade o teria combatido, no ano de 1927. Olhando para esse arquivo de dizibilidades e visibilidades nosso gesto de leitura procura entender as correlações, as retomadas e transformações que essa narrativa vem apresentando, sem perder de vista as determinações sociais, culturais, econômicas e políticas implicadas no funcionamento dessa discursividade.

Do nosso lugar de pesquisa, a compreensão dessa produção discursiva só se torna possível “colocando em jogo o estatuto social da memória como condição de seu funcionamento discursivo.” (PÊCHEUX, 2011, p.142). Assim, visando sempre dar ao trabalho de leitura o primado do interdiscurso, nosso objetivo neste ensaio é problematizar o modo como uma memória discursiva da Resistência se materializa e que efeitos ela produz num exemplar de literatura de cordel. Para tanto, enquanto fragmento dessa discursividade, situemos inicialmente do folheto de cordel a ser analisado, de autoria de Antônio Francisco, a ilustração da capa e coloquemos uma questão: Que regularidades discursivas podem ser observadas na relação desse enunciado da literatura de cordel com outras enunciabilidades nessa formação discursiva e quais os efeitos de tais correlações no funcionamento de uma memória discursiva da Resistência de Mossoró ao bando de Lampião?

Em sua estrutura e acontecimento, o cordel de Antônio Francisco só pode ser percebido enquanto discurso em sua relação com outros dizeres, já ditos ou coisas a dizer. Ou seja, levando em conta a heterogeneidade constitutiva de todo discurso, já que “não há enunciado em geral, enunciado livre, neutro e independente; mas sempre um enunciado fazendo parte de uma série ou de um conjunto.” (FOUCAULT, 2007, p.112). Na dispersão enunciativa que esse cordel faz parte devemos notar uma ordem, correlações, posicionamentos e transformações, em uma palavra, descrever no gesto de leitura aquilo que Michel Foucault chama de regularidade discursiva, uma tensão entre a repetição e a diferença no funcionamento dos enunciados.

Duas coisas chamam atenção na ilustração de capa do folhetim:a primeira aparece no título por um trabalho na sintaxe da língua, pois o sintagma nominal O ataque de Mossoró inverte outro, que por sua vez é central nessa discursividade: o ataque de Lampião. Essa mudança no núcleo do sintagma altera também a ideia de agente que aparece no título e inscreve no fio do discurso a historicidade do presente, a heterogeneidade de posicionamentos em torno do acontecimento e o deslocamentode já ditos construídos a partir do fatode ter sido o bandido Lampião que atacou a cidade no ano de 1927, posição sustentada pela historiografia e pelo poder público local.

Assim, do ponto de vista discursivo, a determinação do núcleo do sintagma funciona como ummecanismo linguístico-discursivoque na historicidade desse enunciado representa para nós um movimento de ampliação e transformação, um efeito de polissemia na produção memorialista da Resistência, algo que reforça a glorificação da cidade em relação aos bandidos. Tal descontinuidade é reforçada na ilustração pelo modo como a representação hegemônica da figura do cangaceiro e da estética do cangaço (chapéu, vestimenta, rifle, bornal e alpargatas típicos) dividir espaço com a figura de um motoqueiro, especificamente, um moto-taxi, que é uma particularidade do transporte público desta cidade do interior do Rio Grande do Norte. Notemos que há uma tensão entre o repetível e a ruptura determinado a raridade desse enunciado em relação aos outros nessa FD.A capa do cordel, nesse sentido,traz uma ruptura que se dá pelo traço anedótico, pois a figura do motoqueiro só significa e causa humor relacionada à atualidade mossoroense.

Em seu movimento discursivo, o cordel analisado faz uma releitura do ataque de Lampião, utilizando símbolos e representações do presente, atualizando a narrativa que tematiza Mossoró como terra da Resistência. Na leitura desses efeitos de sentido possíveis consideramos o gênero como operador de memória e neste cordel, a tensão entre passado e presente, realidade e ficção que deixam entrever que a memória não é um frasco sem exterior (PÊCHEUX, 1999).

Todo o cordel retextualizaa memória hegemônica da Resistência e seus modos de tematizar a cidade, os bandidos, o povo local e o próprio acontecimento. No início, a narrativa do cordel mostra Lampião no inferno, recebendo de lá um passe para viajar a qualquer lugar. Lampião escolhe voltar para o Nordeste, seu xodó, e dar um novo susto na cidade de Mossoró.Vai encontrar uma Mossoró diferente, modernizada.Em um dos trechos do cordel lemos: Lampião disse: - Maria, /Eu vou nem que seja só. /Nem que eu perca o outro olho, /Apanhe de fazer dó. /Só vou voltar quando eu me vingar de Mossoró. Por ser numa narrativa de cordel, essa volta de Lampião a Mossoró centra-se em efeitos de sentido humorísticos, que retomam e deslocam outros efeitos produzidos por outros discursos e práticas, mas mantém uma vontade de verdade, representar Lampião derrotado e enxotado pela cidade. Isso é reforçado noutra passagem mostrando que, logo após entrarem na cidade, ainda de madrugada, Lampião e seu bando foram surpreendidos pela multidão que participava do Carna-Ilha, evento de pré-carnaval que se realiza na cidade. Aqui, Lampião aparece perdido do restante do bando: Chorou na Praça do CID, /Com saudades de Maria. /A última vez que ele a viu, / Maria Bonita ia, /Cantando ‘Che bom, bom, bom’ /Numa banda da Bahia.

Como estas rupturas discursivasnamaterialidade verbo imagética desse cordel são possíveis? Trabalhemos com duas hipóteses:  Primeiro, que “a determinação do gênero também faz parte do regime de enunciabilidade.” (GREGOLIN, 2009, P.56), e que o funcionamento da toda discursividade se dá pela verossimilhança que produz efeitos de real na narrativa (BARTHES, 2004), e não um espelhamento, posto que é crucial dissociar “o que é uma representação e o que ela representa”. (FOUCAULT, 2006, p.248). Assim, pensamos nesses efeitos de real produzidos pelo cordel como efeitos de sentido e que essa descontinuidade no modo como o cordel movimenta essa memória discursiva, sobretudo com traços anedóticos, é um mecanismo de retextualização próprio ao funcionamento discursivo da memória, pois todo enunciado é sempre a tensão entre um já construído (outras práticas discursivas e não-discursivas) e a forma de atualização dessa memória no fio ou na estrutura do discurso. Para finalizar, podemos apontar que o lugar desse cordeldentro de uma FD da Resistência é o lugar de um enunciado cujas astúcias evidenciam o mecanismo de repetição e diferença, paráfrase e polissemia que vem ocorrendo nas formas e materialidades de expressão que se encarregam de autenticar diferentes efeitos de real e certas verdades sobre o episódio da passagem do cangaço na cidade de Mossoró. 

Referências

BARTHES, R. O rumor da língua. São Paulo: Martins Fontes, 2004.

GREGOLIN, M.R. Linguagem e História: relações entre a linguística e a análise do discurso. In: SANTOS, J.B.C. (org.). Sujeito e subjetividades: discursividades contemporâneas. Uberlândia: EDUFU, 2009.

FRANCISCO, A. O ataque de Mossoró ao bando de Lampião. Mossoró: Coleção Queima Bucha de Cordel, S/D.

FOUCAULT, M. A arqueologia do saber. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2007.

_____. Nietzsche, a Genealogia e a História. In: Ditos & Escritos II. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2008.

_____. Isto não é um cachimbo. In: Ditos &Escritos III. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2006.

PÊCHEUX, M. Leitura e memória: projeto de pesquisa. In: ORLANDI, E. P. (org.). Análise de discurso: Michel Pêcheux. Campinas/SP: Pontes Editores, 2011. _____. Papel da memória. In: ACHARD, P. [et al.]. Papel da memória. Campina/SP: Pontes, 1999.

(1) Doutorando em Estudos da Linguagem, pela Universidade Federal do Rio grande do Norte e professor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte.
(2) Doutor em Linguística pela Universida-de Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho. Professor da Universidade do Esta-do do Rio Grande do Norte.


Eventos





Cinema, vídeo, Godard

Será realizado, no mês de março de 2014, o curso Cinema, Vídeo, Godard, na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB. O evento é mais uma atividade do Labedisco - Laboratório de Estudos do Discurso e do Corpo. O curso em tela tem como objetivo o estudo das articulações do dispositivo audiovisual a partir dos diálogos entre o cineasta Godard e os estudos foucaultianos. Godard será estudado a partir de filmes selecionados e do livro “Cinema, Vídeo, Godard”, escrito por Philippe Dubois, considerando-se as problematizações em “A ordem do discurso”, de Michel Foucault. Para tanto, serão realizadas a releitura e discussão dessa obra. Serão, ao todo, sete encontros (carga horária de 30 horas). Em cada um deles o seu ministrante trabalhará com um texto-base e um debatedor fará as considerações introdutórias sobre a exposição, abrindo, depois, à intervenção do público com o intuito de ampliar os diálogos sobre os estudos discursivos na esteira foucaultiana. O curso acolhe estudantes de Iniciação Científica, Mestrado e Doutorado com pesquisas em desenvolvimento. A atividade contempla as discussões do projeto “Memória e corpo no audiovisual” do Programa de Pós-Graduação em Memória, Linguagem e Sociedade e do projeto “Corpo e processos de subjetivação em materialidades verbais e não-verbais” do Programa de Pós-Graduação em Linguística, ambos na UESB. O curso está vinculado ao projeto de pesquisa “Materialidades do corpo e do horror” e ao projeto de extensão “Materialidades do discurso fílmico, do corpo e do horror”. Esta ação também faz parte do quadro de atividades no interior do Convênio de Intercâmbio entre a Sorbonne Nouvelle – Paris III e a UESB/Vitória da Conquista.

Programação

I Encontro

Data 14/03/2014, sexta-feira
Local Labedisco

16h30  Exibição do filme Acossado, de Jean-Luc Godard, 1960

18h30  Apresentação e discussão de textos
Ministrante Msnda. Ceres Luz (PPGMLS/Capes)
Debatedora Cecília Barros-Cairo (PPGMLS/Capes)
Dialogador o público

Referências
DUBOIS, Philippe. Introdução. In:______. Cinema, vídeo, Godard. Trad. Mateus Araújo Silva. São Paulo: Cosac Naify, 2004, p. 21-28.
DUBOIS, Philippe. Máquinas de Imagens: uma questão de linha geral. In:______. Cinema, vídeo, Godard. São Paulo: Cosac Naify, 2004, p. 31-68.
FOUCAULT, Michel. A ordem do discurso. Aula inaugural no Collège de France, pronunciada em 2 de dezembro de 1970.  Trad. Laura Fraga de Almeida Sampaio. São Paulo: Edições Loyola, 2009.

II Encontro

Data 17/04/2014, segunda-feira
Local  Labedisco

16h30  Exibição de Carmen, de Jean-Luc Godard, 1983.

18h30  Apresentação e discussão de textos
Ministrante Msndo. Tyrone Coutinho Filho (PPGLin/Capes)
Debatedora Msnda. Jamille Santos (PPGLIN/UESB)

Dialogador o público

Ministrantes: Nilton Milanez e Ceres Luz (PPGMLS/Capes)
Dialogador: o público

Referências
DUBOIS, Philippe. Por uma estética da imagem de vídeo. In:______. Cinema, vídeo, Godard. Trad. Mateus Araújo Silva. São Paulo: Cosac Naify, 2004, p. 69-96.
FOUCAULT, Michel. A ordem do discurso. Aula inaugural no Collège de France, pronunciada em 2 de dezembro de 1970. Trad. Laura Fraga de Almeida Sampaio.  São Paulo: Edições Loyola, 2009.

III Encontro
Data 08/04/2014 terça-feira
Local Labedisco

16h30 – Exibição de A Chinesa, de Jean-Luc Godard, 1967.

18h30Apresentação e discussão de textos

Ministrante Renata Maciel (PPGMLS/UESB)
Debatedor Ciro Prates (PPGMLS/Capes)
Dialogador o público

Referências
DUBOIS, Philippe. “O estado-vídeo”: uma forma que pensa. In:______. Cinema, vídeo, Godard. Trad. Mateus Araújo Silva. São Paulo: Cosac Naify, 2004, p. 97-118.
FOUCAULT, Michel. A ordem do discurso. Aula inaugural no Collège de France, pronunciada em 2 de dezembro de 1970. Trad. Laura Fraga de Almeida Sampaio. São Paulo: Edições Loyola, 2009.

IV Encontro

Data 10/04/
Local  Labedisco

16h30 – Exibição de O Desprezo, de Jean-Luc Godard, 1963.

18h30Apresentação e discussão de textos
Ministrante Dndo. Ciro Prates (PPGMLS/Capes)
Debatedor Msndo. Tyrone Chaves Coutinho (PPGLIN/UESB)
Dialogador o público

Referências
DUBOIS, Philippe. A paixão, a dor e a graça: notas sobre o cinema e o vídeo dos anos 1977-1987. In:______. Cinema, vídeo, Godard. Trad. Mateus Araújo Silva. São Paulo: Cosac Naify, 2004, p. 137-176.
FOUCAULT, Michel. A ordem do discurso. Aula inaugural no Collège de France, pronunciada em 2 de dezembro de 1970. Trad. Laura Fraga de Almeida Sampaio.  São Paulo: Edições Loyola, 2009.

V Encontro

Data 15/04/2014
Local  Labedisco

16h30 – Exibição do filme Detetive, de Jean-Luc Godard, 1985.

18h30Apresentação e discussão de textos
Ministrantes  Dndo. Ciro Prates (PPGMLS/Capes)
Debatedora Msnda. Renata Maciel (PPGMLS/UESB)
Dialogador  o público

Referências
DUBOIS, Philippe. Vídeo e cinema: interferências, transformações, incorporações. In:______. Cinema, vídeo, Godard. Trad. Mateus Araújo Silva São Paulo: Cosac Naify, 2004, p. 177-250.
FOUCAULT, Michel. A ordem do discurso. Aula inaugural no Collège de France, pronunciada em 2 de dezembro de 1970. Trad. Laura Fraga de Almeida Sampaio.  São Paulo: Edições Loyola, 2009.

VI Encontro

Data  17/04/2014
Local  Labedisco

16h30 – Exibição do filme Duas ou três coisas que eu sei dela, de Jean-Luc Godard, 1966.

18h30Apresentação e discussão de textos
Ministrante  Aliúd Almeida (Cinema/ IC)
Debatedor  Daniel Teixeira (Direito/IC)
Dialogador  o público


Referências
DUBOIS, Philippe. Jean-Luc Godard: cinema e pintura, ida e volta. In:______. Cinema, vídeo, Godard. Trad. Mateus Araújo Silva. São Paulo: Cosac Naify, 2004, p. 251-258.
DUBOIS, Philippe. Jean-Luc Godard: Jean-Luc Godard e a parte maldita da escrita. In:______. Cinema, vídeo, Godard. São Paulo: Cosac Naify, 2004, p. 259-288.
FOUCAULT, Michel. A ordem do discurso. Aula inaugural no Collège de France, pronunciada em 2 de dezembro de 1970. Trad. Laura Fraga de Almeida Sampaio. São Paulo: Edições Loyola, 2009. 

VII Encontro

Data 22/04/2014
Local Labedisco

16h30 – Exibição do filme Uma mulher é uma mulher, de Jean-Luc Godard, 1961.

18h30Apresentação e discussão de textos
Ministrante  Ueslei Pereira (História/ IC)
Debatedora Bianca Oliveira (Comunicação social/IC)
Dialogador  o público


Referências
DUBOIS, Philippe. Os ensaios em vídeo de Jean-Luc Godard: o vídeo pensa o que o cinema cria. In:______. Cinema, vídeo, Godard. Trad. Mateus Araújo Silva. São Paulo: Cosac Naify, 2004, p. 289-312.
FOUCAULT, Michel. A ordem do discurso. Aula inaugural no Collège de France, pronunciada em 2 de dezembro de 1970. Trad. Laura Fraga de Almeida Sampaio.  São Paulo: Edições Loyola, 2009.

Avaliação
O participante deve entregar relatório de cada encontro, baseado nos textos discutidos, bem como colaborar com os debates e dis-cussões ao final das exposições. Além disso, o participante deve prosseguir com comentários sobre os encontros na página do Labe-disco no Facebook (facebook.com/labedisco), fomentando a discussão após o encontro. Os relatórios receberão parecer evidencian-do os pontos discutidos.

Inscrições
As inscrições podem ser feitas até o dia 05/03/2014 pessoalmente ou pelo e-mail do Labedisco (labedisco.uesb@gmail.com). Para isto, requeremos para análise a submissão de: a) carta de interesse; b) projeto de pesquisa resumido sobre corpo e audiovisual (até 3 laudas); c) Lattes atualizado; d) histórico escolar. O curso é totalmente gratuito.

Acesse o vídeo de divulgação do evento: https://www.youtube.com/watch?v=m5ej33OWVaE


Dicas de leitura de O Corpo é Discurso

A ordem do discurso, Michel Foucault

A aula inaugural, que Foucault pronunciou ao assumir a cátedra vacante no Collège de France pela morte de Hyppolite, pode ser considerada um texto de ligação entre suas obras, datadas dos anos 60, como História da loucura, As palavras e as coisas, A arqueologia do saber, centradas predominantemente na análise das condições de possibilidade das ciências humanas, e as que se seguiram a maio de 68, como Vigiar e punir, voltados ao exame da microfisica do poder.
Foucault desvenda a relação entre as práticas discursivas e os poderes que as permeiam. Ao perceber os diversos procedimentos que cerceiam e controlam os discursos da sociedade, o autor comprova que "o discurso não é simplesmente aquilo que traduz as lutas ou os sistemas de dominação, mas aquilo pelo que se luta, o poder de queremos nos apoderar".  Na segunda parte do texto, Foucault anuncia a direção em que prosseguirá suas investigações no decorrer dos cursos no Collège de France, apontando para o que denomina o "conjunto crítico" e o "conjunto genealógico" e lança o projeto de estudo das interdições que atingem o discurso da sexualidade. A este trabalho dedicará muitos anos, após a publicação do primeiro volume da História da sexualidade, em 1976: A vontade de saber (uso dos prazeres, vol.2, O cuidado de si, vol, 3, ambos de 1984).

 

Cinema, Vídeo, Godard, Philippe Dubois

Reunindo nove ensaios, este livro aborda a questão do vídeo, sua natureza de imagem e seu lugar no mundo das produções visuais, particularmente em relação ao cinema. A primeira parte, "Vídeo e teoria das imagens", parte do vídeo para tentar abordá-lo em si mesmo, atribuindo-lhe um corpo estético específico, e considerando se ele pode ser uma arte em si, com linguagem própria. "Vídeo e cinema" aprofunda a questão central da relação do vídeo com o cinema, abordando o imaginário cinematográfico como ponto de partida para as experiências em vídeo. Vários cineastas utilizaram o vídeo para suas pesquisas fílmicas, como Antonioni, Wim Wenders, Coppola, entre outros. Na terceira parte, "Jean-Luc Godard", a discussão centra-se a partir do exame detalhado do caso exemplar deste cineasta, que, como nenhum outro, problematizou com tanta insistência, profundidade e diversidade a "mutação das imagens".


Popularização da Ciência

A pesquisa científica gera conhecimentos, tecnologias e inovações que beneficiam toda a sociedade. No entanto, muitas pessoas não conseguem compreender a linguagem utilizada pelos pesquisadores. Neste contexto, a grande mídia e as novas tecnologias de comunicação cumprem o papel de facilitadores do acesso ao conhecimento científico. Para contribuir com esse processo, em sintonia com o espírito que anima o Comitê de Assessoramento de Divulgação Científica do CNPq, criamos esta seção no portal do CNPq. Seja bem-vindo ao nosso espaço de popularização da ciência e aproveite para conhecer as pesquisas dos cientistas brasileiros e os benefícios provenientes do desenvolvimento científico-tecnológico.

Apoio cultural

              

         





 MARCA DE FANTASIA
 INDEX  EDITORIAL  ÁLBUNS  LIVROS  REVISTAS  CAMARADAS