O CORPO
é Discurso

N. 19
15 de fevereiro de 2013
Vitória da Conquista, BA. Brasil

ISSN 2236-8221

Jornal do Labedisco
Laboratório de Estudos do Discurso e do Corpo, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Coordenação geral:
Nilton Milanez
Editores:
Nilton Milanez e Ciro Prates (Capes)
Co-organizadores: Sivonei Ribeiro Rocha (UESB) e Tyrone Chaves (UESB)

Edição online: Henrique Magalhães

Conselho editorial:

Prof. Dr. Elmo José dos Santos (UFBA)
Profa. Dra. Flávia Zanutto (UEM)
Profa. Dra. Ivone Tavares Lucena (UFPB)
Profa. Dra. Maria das Graças Fonseca Andrade (UESB)
Profa. Dra. Mônica da Silva Cruz (UFMA)
Prof. Dr. Nilton Milanez (UESB)
Profa. Dra. Simone Hashiguti (UFU)

Contato
labedisco@gmail.com

O Corpo é Discurso é uma parceria com a editora Marca de Fantasia e está hospedado no sítio www.marcadefantasia.com


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O corpo é discurso é o primeiro jornal eletrônico
de popularização científica da Bahia

Popularização da Ciência

A pesquisa científica gera conhecimentos, tecnologias e inovações que beneficiam toda a sociedade. No entanto, muitas pessoas não conseguem compreender a linguagem utilizada pelos pesquisadores. Neste contexto, a grande mídia e as novas tecnologias de comunicação cumprem o papel de facilitadores do acesso ao conhecimento científico. Para contribuir com esse processo, em sintonia com o espírito que anima o Comitê de Assessoramento de Divulgação Científica do CNPq, criamos esta seção no portal do CNPq. Seja bem-vindo ao nosso espaço de popularização da ciência e aproveite para conhecer as pesquisas dos cientistas brasileiros e os benefícios provenientes do desenvolvimento científico-tecnológico.


O Corpo é Discurso

Nesta edição, O corpo é discurso traz o resumo da dissertação que será defendida por Danilo Corrêa Pinto, da Universidade Federal de Uberlândia, além de uma resenha de artigo de Mirtes Tavares Marinho, estudante de Filosofia da Universidade estadual do Sudoeste da Bahia, a divulgação do GEDAI – Grupo de Estudos Mediações, Discursos e Sociedades Amazônicas, e notícias sobre o III Colóquio de Estudos em Narrativas, evento que será realizado em Março desse ano.


GEDAI: novas frentes de debate na Amazônia

Grupo de pesquisa realiza trabalhos sobre as sociedades amazônicas a partir da Análise do Discurso e dos Estudos Culturais

Reunir projetos de pesquisas e de extensão relacionados aos processos discursivos, de mediação e às sociedades amazônicas, este é o objetivo do Grupo de Estudo Mediações, Discurso e Sociedades Amazônicas- GEDAI. Formado em 2010, o grupo congrega pesquisadores da Universidade da Amazônia - UNAMA e de outras instituições da região, alunos de pós-graduação em Comunicação, Linguagens e Cultura e de graduação dos cursos de licenciatura em Letras e de Comunicação Social.

Na contemporaneidade, a sociedade da informação criou diferentes suportes materiais para estabelecer os cada vez mais velozes processos de comunicação. Hoje, em meio a sociedades complexas, os discursos que circulam nos espaços abertos pelas novas tecnologias convivem com as novas e tradicionais formas de produzir sentidos. Este início de século exibe, em sua paisagem dinâmica, as diferentes possibilidades de mediações, como em nenhum outro momento da história. Em meio a este mosaico contemporâneo de informação, atualizam-se memórias, recriam-se e se repetem antigos discursos.

Segundo a Coordenadora do grupo Ivânia dos Santos Neves, a professora Drª em análise do discurso pela UNICAMP: “as sociedades amazônicas são parte integrante deste novo cenário internacional, portanto, estamos inseridos nesta nova forma de globalização”. Segundo Ivânia, muito pouco, no entanto, se produziu de conhecimento acadêmico, em universidades da própria região, sobre a realidade da Amazônia em relação aos processos de mediação. “A intenção do grupo é escrever a nossa própria cartografia, como pesquisadores que moram e escrevem da/na Amazônia” conta Ivânia. As investigações do grupo organizam-se em dois eixos temáticos: Análise do Discurso na Amazônia e Comunicação e Meio Ambiente na Amazônia, cujo objetivo é reunir projetos de pesquisas e de extensão relacionados à história do presente e aos processos de mediação entre as sociedades amazônicas. Nestes projetos uma série de trabalhos como dissertações, artigos, livros, revistas e vídeos são produzidos, sempre com temáticas sobre as sociedades Amazônicas.


Livro "Crianças Aikewára: entre as tradições e as novas tecnologias na escola"

Entre as principais pesquisas e projetos desenvolvidos e em desenvolvimento estão: Nas Fronteiras das Narrativas Orais Tupi na Amazônia Paraense: Performatividade, História e Tradução. Profª Drª Ivânia dos Santos Neves- CAPES/FIDESA/CNPAQ Entre Crônicas, Reportagens e Romances: histórias, identidades afroindígenas e saberes locais no regime das águas da Amazônia Marajoara. Profª Drª Ivânia dos Santos Neves- FIDESA.

Os principais eventos e atividades desenvolvidas estão: Curso - Michel Foucault: discurso, poder, identidades, em 2012. I Encontro de Análise do Discurso da Amazônia, em 2011. E a VII Semana de Comunicação da Universidade da Amazônia. 2010.

INTEGRANTES E PROJETOS DE PESQUISAS

• Profa. Dra. Ivânia dos Santos Neves – Pesquisadora - A invenção do índio nas redes sociais: a dança das identidades.- ivanian@uol.com.br
• Profa. Dra Alda Costa– Sociedades indígenas e representações imagéticas: discursos sobre Belo Monte – UFPA - aldacristinacosta@gmail.com
• Maurício Neves Corrêa - As Relações de Poder e as estratégias dos índios Aikewára nas fronteiras da mídia:cultura, mediação e guerra, uma história latino- americana - UNAMA (mestrado)- mauricio_nc@hotmail.com
• Ana Shirley Penaforte Cardoso - Identidade E Memória: Diálogos Convergentes na Fotografia Contemporânea de Paula Sampaio e de Alberto Bitar – UNAMA (mestrado) - spenaforte@gmail.com • Joel Pantoja da Silva - Identidades e Memória Discursiva Tupi no roteiro do Rio Tajapuru/ Marajó-pa: silêncios e narrativas - UNAMA (mestrado) -pantojasilver@hotmail.com
• Maria Adriana da Silva Azevedo - A escrita de Murué Suruí: uma questão de autoria indígena - UNAMA -adrianaazevedo@hotmail.de
• Pedro Paulo dos Santos Leal - A presença indígena na internet: entre a história do presente e estereótipos – UNAMA (mestrado) - pedrexbel@yahoo.com.br
• Raimundo Araujo Tocantins - Mulheres indígenas, performances e discursos: o mise em scène dos corpos no Facebook? - UNAMA (Mestrado) – nevestocantins@hotmail.com
• Valquíria Lima da Silva - A construção da identidade indígena em O Liberal, um dos mais lidos jornais impressos da Amazônia - UNAMA - quira-lima@hotmail.com Vídeos :www.youtube.com/user/projetoaikewara

Blogs: www.breadosonline.blogspot.com
www.aikewara.com.br
www.adamazonia.blogspot.com.br/


Língua e Corporalidade: Discurso, corpo e a construção de sentidos no mundo social

Mirtes Ingred Tavares Marinho

Elenita Rodrigues, mestranda em línguas clássicas e vernáculas, da Universidade de Brasília, UNB, em um de seus artigos intitulado “Língua e Corporalidade: Discurso, corpo e construção dos sentidos no mundo social”, analisa as diferentes perspectivas de estudo da corporalidade em suas relações com o funcionamento da linguagem, entrelaçando as maneiras de falar do corpo com a construção de sentido no mundo social.

No início do texto, a autora ocupa-se com as maneiras de falar do corpo e com as maneiras de falar sobre o corpo, citando a perspectiva do sociólogo Pierre Bourdieu, que considera que a linguística tem uma maneira diferente de se comunicar. Ela tem “um estilo expressivo”, com valor social e eficácia simbólica. Para ele, a linguagem é uma técnica do corpo, que domina e é dominado. Em uma perspectiva semelhante, temos o analista Dominique Maingueneau, que traz o ethos da noção Aristotélica. Considerando que todo discurso exige uma representação do corpo, ao enunciador atribui-se um caráter e uma corporalidade. Esta ideia é reformulada por Ducrot em um quadro pragmático de que o personagem fala e não o indivíduo.

Identifica-se, ainda, no decorrer do artigo, a perspectiva de Fairclough, que considera, assim assim como Maingueneau, que o conceito de Ethos não pode ser negligenciado pelos estudiosos da linguagem, todavia ele dá importância, para além dos elementos discursivos, a linguagem comportamental, que segundo ele é importante para o estudo da construção do “eu” e das identidades.

Elenita Rodrigues aponta também algumas reflexões sobre essas concepções do estudo da corporalidade, quando fala, por exemplo, das “maneiras de falar” do corpo e das construções do sentido no mundo social. A partir das perspectivas que são citadas no artigo conclui-se que o que é dito, juntamente com o tom em que é dito, são igualmente importantes e indissociáveis.

A autora também realizou uma atividade de pesquisa e extensão universitária, propondo investigar e desenvolver a implementação de princípios da Consciência Linguística e Crítica. Na pesquisa, as atividades desenvolvidas foram consideradas fortalecedoras das práticas da comunidade, das identidades sociais. Em conclusão: a linguagem corporal está atrelada às práticas de um saber socialmente constituído, que faz do indivíduo um ser historicamente construído.

Referência

RODRIGUES, E. Língua e corporalidade: discurso, corpo e a construção de sentidos no mundo social. In: GREGOLIN, M. R.; CRUVINEL, M. F.; KHALIL, M. G. (Org) Análise do discurso: entornos do sentido. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2001. p. 273-282.


Corpo e carnaval: uma análise discursiva do corpo feminino construído nas imagens veiculadas pelo discurso da mídia sobre o desfile de escolas de samba do carnaval carioca

Danilo CORRÊA PINTO (UFU)

Este trabalho se filia à disciplina Análise do Discurso para analisar os sentidos construídos para o corpo da mulher nas imagens de desfiles das escolas de samba do carnaval carioca, produzidas e veiculadas pelo discurso da mídia. Compreendemos que o corpo é uma materialidade simbólica que pode – por sua visibilidade e pela injunção no/pelo discurso – ter diferentes sentidos, como, por exemplo, um tipo feminino, tal qual exploraremos neste estudo. A análise traz algumas imagens midiáticas produzidas pela Revista Manchete e pela Rede Globo de Televisão sobre a festa carnavalesca brasileira, mais especificamente os desfiles de escolas de samba da cidade do Rio de Janeiro. Essas imagens, em seus recortes da festa, fazem circular um imaginário de corpo feminino que tende a ser tomado como estereótipo nacional em alguns discursos.

Entendemos que há diferentes maneiras de significar o corpo ao longo da história da humanidade a partir das inscrições dos sujeitos em diferentes discursos, como o do carnaval, por exemplo, bem como há diferentes relações interpessoais que se estabelecem a partir de sua presença ou ausência ao nível do que é opticamente apreensível. Dessa forma, apontamos que (1) as imagens veiculadas por algumas mídias sobre o corpo da mulher, principalmente nos desfiles de escolas de samba da cidade do Rio de Janeiro, produzem um sentido de feminino pelo efeito parafrástico das imagens, tanto para o carnaval brasileiro quanto para um sentido de brasilidade; e (2) as imagens desses corpos são recortes que se constituem por discursos outros e funcionam para regularizar os tipos de corpos que podem (discursivamente) representar o carnaval de desfiles de escolas de samba.

O percurso de análise (3) discorre também sobre a ideia de regularidade enunciativa das/nas imagens, pois esse funcionamento possibilita a docilização, regularização e organização dos corpos de mulheres construídos como femininos presentes nas imagens, na tentativa de fechar uma rede de sentidos. Portanto, essa regularidade enunciativa das/nas imagens produz sentidos que aproximam a festa carnavalesca no Brasil de um sentido de corporalidade feminina.


III Colóquio de Estudos em Narrativa: as Literaturas infantil e juvenil... ainda uma vez

O GPEA - Grupo de Pesquisas em Espacialidades Artísticas (ILEEL-UFU/CNPQ) convidada todos a participarem do III Colóquio de Estudos em Narrativa, cujo tema é As Literaturas infantil e juvenil... ainda uma vez.

O III Colóquio de Estudos em Narrativas infantil ainda uma vez... (CENA III) do Instituto de Letras e Linguística da Universidade Federal de Uberlândia é um evento acadêmico-científico para discussão e divulgação de produção científica, acadêmica, técnica e cultural na área de Literatura, abrangendo profissionais da área atuantes no Brasil. Destina-se a viabilizar um espaço acadêmico de debates que contribua para a formação de estudantes, pesquisadores e profissionais das áreas de Letras, Artes, Educação e afins, bem como a possibilitar uma integração maior entre a comunidade acadêmica e a comunidade externa à universidade.

O Colóquio de Estudos em Narrativa (CENA), hoje em sua 3ª edição, consolidou-se como um evento de abrangência nacional, tornando possível o diálogo de estudantes e pesquisadores do ILEEL com pesquisadores de outras instituições. O evento, que acontecerá nos dias 11 e 12 de março de 2013, será organizado pelo Grupo de Pesquisas em Espacialidades Artísticas (GPEA), recebe o apoio da CAPES, da FAPEMIG, e da Universidade Federal de Uberlândia, do Programa de Pós-Graduação em Letras: Mestrado em Teoria Literária, das Pró-reitorias de Extensão, de Graduação, de Pesquisa e Pós-Graduação.

A programação do CENA III promoverá debates variados sobre um tema que abrange estudos acerca das literaturas infantil e juvenil e seus atravessamentos, por intermédio de atividades diversificadas, como conferências, mesas-redondas, grupos temáticos, comunicações, oficinas e atividades culturais. O público alvo do CENA III será composto por alunos de graduação e de pós-graduação em Letras e cursos afins da UFU e de outras instituições de ensino superior do país; mestres e doutores em estudos literários e outras áreas afins; professores da rede pública e particular de ensino.

Período: 11 e 12 de março de 2013
Local: Universidade Federal de Uberlândia / MG– Campus Santa Mônica
Apoio: CAPES, FAPEMIG, UFU
Para mais informações, acesse http://www.gpea.ileel.ufu.br/cena/


  Dicas de O Corpo é Discurso

Leitura do livro Discurso e Poder, de Teun A. Van Dijk.



Leitura do livro Ethos Discursivo, de Ana Raquel Motta e Luciana Salgado (Orgs.).

 
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