Fanzine como força de expressão e interação

Capa do Interação Zine n. 5,
por José Zinerman Nogueira |
Henrique Magalhães
11.2025
Os fanzines costumavam ser um magazine de fã, daí o termo que define esse gênero de publicação ser a contração das palavras inglesas “fanatic" e “magazine”, ou seja, “fanzine”. Quase sempre dedicados a uma ou mais expressões artísticas, tiveram grande fôlego no país na década de 1980 com a popularização das fotocopiadoras a facilitar a reprodução. Os fanzines tiveram grande importância para a apresentação de novos autores de ficção científica, quadrinhos, poesia e música, sendo o veículo de difusão de novas bandas e comunicação com o público.
Os anos 1990, com o acesso comercial à internet, esse cenário mudou. Os veículos impressos perderam força, cederam espaço às facilidades e velocidade dos meios eletrônicos, como blogs, sites, fanpages e finalmente redes sociais. Contudo, os fanzines impressos nunca morreram, resistem de uma forma ou de outra numa temporalidade menos urgente e compassada.
Alguns antigos editores de fanzines não abrem mão desse espaço criativo instigante, seja pela descoberta de novas maneiras de ver o mundo pelas artes, seja pela manutenção do companheirismo raro, mas nunca perdido. José Zinerman Nogueira - o homem zine incorporado ao próprio nome - é um desses velhos dinossauros do fandom, também autodenominado “o fóssil vivo do underground”.
Mas não é sobre Nogueira que me debruço a falar, e sim sobre seu novo rebento, dentre tantos que lança com efusão: o Interação Zine n. 5, de novembro/dezembro de 2025. Este fanzine é um bom exemplo do que se fazia nos moldes dos antigos fanzines, com a diferença que não é impresso, mas em edição digital no formato pdf. É o velho tornando-se novo, ou o novo reverenciando o velho.
O caldo cultural que traz esta edição do fanzine conta com vários colaboradores a tratar de variadas artes. Dos quadrinhos, com artigo "50 anos de 'Maria', desenhos, quadrinhos e gibis na arte-mídia-política de Henrique Magalhães”, de Cláudio Paiva, ao “Coletivo Bordas”, por Janys Oliveira. Já Marcos Eduardo Massolini fala sobre a genialidade de três guitarristas de vida curta, Duane Allman,Tommy Bolin e Randy Rhoads; André Araújo mostra um ensaio fotográfico sobre suas “Carrancas urbanas”, série Jardim das Delícias, crio uma instalação cerâmica em constante transformação.
A artista gráfica Martinique faz a versão de “Eye Running” sobre a arte original do editor. Suas histórias, suas artes é o que propões Elton Frans. O próprio Zinerman Nogueira relata mais uma de suas invenções com um programa de blues no WhatsApp. Para fechar a edição, um texto de Maris: O amor vai nos extravasar: Ian Curtis e a melancolia como combustível para a solidão.
Não dá para deixar de ler um fanzine como esse, tão rico em textos e imagens, tão vivo em tempo de fogo-fátuo da internet, em que as leituras se resumem à superficialidade das redes sociais. Conheça e curta um fanzine que retoma a origem do termo, que honra sua potencialidade criativa.

Páginas do Interação Zine n. 5 |
Interação Zine
José Zinerman Nogueira
São Paulo: edição independente, n. 5, nov./dez. 2025, 49p.
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