
Seção de resenhas sobre fanzines e outras revistas independentes
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Quadrinhos Independentes
H. Magalhães
O fanzine de Edgard Guimarães, na altura de sua longevidade, não perde o vigor e se renova a cada número. A responsabilidade dessa fórmula bem-sucedida deve-se à verve entusiasta de seu editor, que mantém a publicação às próprias custas, num trabalho militante em prol dos quadrinhos brasileiros digno de toda nossa admiração. Mas os leitores são mais que coadjuvantes, atuando de forma decisiva para o conteúdo do fanzine .
A cada edição há a participação maciça do público com suas cartas sempre críticas e por vezes polêmicas. Outro reforço da participação dos leitores é com a publicação de textos analíticos de vários aspectos concernentes aos quadrinhos. Na edição 91, de março/abril de 2008, por exemplo, temos um texto de Olliveira Jr. sobre a lamentação dos autores de quadrinhos frente ao mercado restritivo; e ainda um artigo sobre as tiras científicas, por Washington Castilhos, que discorre sobre o trabalho de pós-graduação de Cláudia Kamel , que analisa o potencial educacional das histórias em quadrinhos. Já o editor Edgard Guimarães presta uma justa homenagem a Oscar Christiano Kern , falecido no dia 12 de janeiro de 2008, autor do incontornável fanzine Historieta. De sua lavra também temos uma lúcida análise sobre o projeto de lei do deputado Simplício Mário de reserva de mercado para os quadrinhos brasileiros.
Após o marco histórico da centésima edição e a grande expectativa do público sobre que rumos o fanzine tomaria, temos a edição 101, de janeiro/fevereiro de 2010, que nos revela uma grata surpresa: o fanzine mudou quase que absolutamente nada. Continuam presentes os textos críticos, os artigos dos leitores, a seção “Mantendo contato”, assinada por Worney de Souza, a participação ativa dos leitores numa generosa seção de cartas. Segue a divulgação dos fanzines com uma mudança cosmética: agora cada editor faz a arte para a divulgação de sua publicação, poupando Edgard de um exaustivo trabalho de edição.
Para alguns, a sequência do QI pode trazer certa frustração, visto que o anunciado término do fanzine e sua provável transformação foi fonte de preocupação durante meses entre os leitores, sendo natural que se esperasse um produto bem mais ousado do competente Edgard. O fato realmente novo foi a chamada à participação dos leitores com relação aos custos do fanzine , que anteriormente era bancado exclusivamente pelo editor. Agora os leitores são co-responsáveis pela manutenção do fanzine por meio de assinatura que lhe garanta a cobertura dos custos.
A resposta satisfatória do público, segundo análise de Edgard, corrobora a importância do fanzine , ao qual não se deve prescindir. O novo QI ao ter ratificada a velha fórmula vem, no fundo, atender aos reclames da maioria dos leitores, que gostariam de tê-lo como sempre foi, informativo, dinâmico, polêmico e aglutinador das publicações independentes brasileiras.
QI - Quadrinhos Independentes
Nº 91, mar/abr. 2008. 20p. 16,5x21,5cm. R$1,00.
Nº 101, jan/fev. 2010. 20p. 16,5x21cm. R$20,00 (assinatura de 6 edições).
Editor: Edgard Guimarães. Rua Capitão Gomes, 168. Brasópolis, MG. 37530-000.
edgard@ita.br
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