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Vida traçada: um perfil de Flavio Colin
Vida traçada: um perfil de Flavio Colin
Gonçalo Junior
Série Quiosque, 21.
João Pessoa: Marca de Fantasia, 2009. 92p. 12x18cm. R$20,00.
ISBN 978-85-87018-89-2

Como é sabido de todos os que apreciam a mais autêntica história em quadrinhos brasileira, Flavio Colin marcou de forma indelével a produção dessa arte no país. Para Gonçalo Junior, Flavio – como prefere chamar –, ao lado de Júlio Shimamoto, forma a dupla mais completa, influente e marcante dos quadrinhos brasileiros, sem menosprezar outros grandes artistas gráficos como J. Carlos e Benício, entre outros.

Gonçalo se debruça sobre a obra de Flavio com a reverência de um fã, mas com a acuidade do renomado jornalista que é. Ainda assim, o autor considera este livro – Vida traçada: um perfil de Flavio Colin – como um breve perfil biográfico e despretensioso, visto o gigantismo e a grandiosidade da obra de Flavio Colin. Para Gonçalo, o trabalho de Flávio ainda está por ser mapeado e devidamente estudado, compreendido e consagrado em obras mais extensas “como um acontecimento das artes de um dos autores de quadrinhos mais importantes em todo o mundo e em todos os tempos”.

O trabalho apresentado neste livro resulta de textos escritos por Gonçalo para duas edições que serviram de tributo a Flavio, organizado por ele em parceria com o editor Franco de Rosa, para a editora Opera Graphica. As edições foram O filho do urso e outras histórias, publicada em 2002 e Mapinguari e outras histórias, de 2003. Franco encarregou-se da seleção das narrativas gráficas e Gonçalo dedicou-se à parte biográfica, para a qual colheu depoimentos de artistas e textos analíticos para a abertura de cada trabalho.

Para Gonçalo, ler ou reler boa parte da obra de Flavio ratificou o quanto ele foi um artista não apenas completo como obsessivo na busca por uma excelência de sua arte, tanto no tocante ao roteiro quanto ao desenho. “Nesse sentido – completa Gonçalo –, mais uma vez, Colin combina com Shimamoto no esforço de experimentar, ousar e desafiar a própria linguagem das HQs e estabelecer novos parâmetros e possibilidades. Para as novas gerações, um mestre de verdade não poderia deixar outra lição e outro legado”.

O ímpeto jornalístico de Gonçalo não se conteria no simples relato da obra de Flavio, o que já seria um grande feito para a preservação da memória dos quadrinhos brasileiros. Seu trabalho investigativo revela fatos ocorridos na infância de Flavio que mostram o quanto ele teve uma vida singular, marcada por uma tragédia familiar que poderia ter-lhe traumatizado para sempre.

Como sentencia na apresentação de seu livro, Gonçalo considera que a superação talvez tenha sido a maior vitória da existência de Flavio, “se considerar que ele simplesmente apagou esse fato de sua vida pública, sem deixar transparecer em suas manifestações em textos, entrevistas e até mesmo em seus trabalhos”.

A obra de Flavio, com a maestria narrativa de suas histórias de terror, de sexo e repletas de brasilidade, com seu traço personalíssimo e único, com sua versatilidade nas resoluções gráficas e estilização radical já seria por demais relevante para os quadrinhos brasileiros e mundiais. Acrescente-se a isso o caráter impar desse lutador pela vida e pela arte, que não hesitou em se engajar em movimentos de afirmação dos quadrinhos nacionais. Temos, aí, o perfil de um grande artista.

H. Magalhães

Resenha HQB: Vida traçada

Livros que relatam exclusivamente a história dos quadrinhos nacionais (seja focando algum gênero, editora ou autor) são sempre bem-vindos.

Primeiro, devido a escassez de títulos no mercado (já foram lançados alguns, é verdade, mais ainda assim, poucos). Segundo, pelo valor histórico e por resgatar um pouco de nossa cultura; e, por último, são bases teóricas fundamentais para quem quiser se envolver no ramo (editores, roteiristas, desenhistas, pesquisadores etc.) por mostrar como era o mercado e seu impacto na sociedade à sua época, o pensamento editorial (suas qualidades e vícios), as técnicas e condições de trabalho dos autores; livros assim servem como parâmetros para que as novas gerações não fiquem constantemente reinventando a roda.

Flávio Colin (1930-2002) é o autor que tem sua vida passada a limpo neste breve perfil escrito por Gonçalo Junior.

O livro segue ordem cronológica. Começa com a tragédia familiar que acometeu Colin com 8 anos de idade e cuja solidão resultante o levou a se aproximar do desenho e, consequentemente, das HQs.

Há um breve comentário sobre seus primeiros trabalhos profissionais como desenhista. Breve porque foram breves as experiências (como desenhista de cartazes de cinema e de plantas de mapeamento da cidade do Rio de Janeiro).

A partir daí, concentra-se em mencionar sua produção dentro dos quadrinhos: suas HQs de guerra, terror, policial, eróticas, ecológicas e regionalistas (que, segundo o autor, ao lado do terror, eram os gêneros que mais agradavam Colin).

Passando pelos seus sucessos, como O Anjo, até suas frustrações, como o boicote dos editores aos artistas tidos como comunistas (autores envolvidos em movimentos pela produção de HQs de temáticas brasileiras ou pela adoção de cotas para quadrinhos nacionais nas editoras).

Gonçalo Júnior faz questão de mencionar, ao longo de todo o livro – e essa é a parte principal da obra – a importância que Colin atribuía à formação cultural e histórica dos quadrinistas, sua dedicação, estudo e pesquisa para sempre aprimorar seu estilo e seus roteiros.

Como o capítulo de apresentação informa, trata-se de um breve perfil biográfico, focado em sua carreira dentro dos quadrinhos. Por isso, não cobre sua vasta produção na publicidade tampouco analisa a narrativa do mestre e a evolução de seu traço.

Mas, já é suficiente para comprovar a opinião de Gonçalo sobre o fato de Colin ser “um dos autores de quadrinhos mais importantes em todo o mundo em todos os tempos”.

Indispensável para quem quiser almejar algo dentro do ramo.

Alexandre Manoel

Publicado no sítio Impulso HQ
<www.impulsohq.com.br/2009/06/30/resenha-hqb-vida-tracada> em 30 de junho de 2009

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