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O escudo manchado: um herói em tempo de guerra
O escudo manchado: um herói em tempo de guerra
Daslei Bandeira
Série Quiosque, 18.
João Pessoa: Marca de Fantasia, 2007, 92p, 12x18cm. R$20,00.
ISBN 978-85-87018-69-4.

O escudo manchado: um herói em tempo de guerra, de Daslei Bandeira, é um estudo sobre as histórias em quadrinhos como comunicação de massa, como produto da indústria cultural. O centro da abordagem é o personagem Capitão América, numa trajetória que vai de sua primeira edição, em 1941, até a deflagração da Guerra Contra o Terror, após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos da América.

Como observa o autor, a guerra é vista como um acontecimento radical que altera as linguagens midiáticas, influenciando a audiência – dentre elas a das histórias em quadrinhos – em tempos de conflito. Daslei vai buscar nos teóricos da comunicação Armand Mattelart e Paul Virilio o referencial que aponta para a correlação entre a experiência da guerra e a evolução dos processos midiáticos.

Quando surgiu em 1941 o personagem Capitão América tornou-se um ícone da nação estadunidense em tempos de paz e de guerra, encarnando os símbolos de patriotismo e nacionalismo. Para Daslei, ao longo de mais de meio século o projeto ideológico da editora Marvel, responsável pela publicação do personagem, sofreu várias transformações. Isso se evidencia no pós-guerra dos anos 40, durante os anos da Guerra Fria, a Guerra do Vietnã e após os ataques de 11 de setembro de 2001.

Dois dias após o sinistro, nas ruas de New York já eram colados cartazes com figuras do personagem pedindo aos norte-americanos que doassem sangue, fossem compreensivos e ajudassem o próximo. Ou seja, o super-herói ressurgiu fortalecendo consideravelmente os laços simbólicos que agregam os cidadãos dos Estados Unidos da América.

Os ataques abalaram não só a nação, mas também o personagem, de maneira fictícia e literalmente. Tendo sido criado para preservar os princípios liberais e democráticos, reaparece no cenário do capitalismo global fazendo prevalecer a ordem hegemônica. Mas, se antes, durante os anos da Guerra Fria, ele tinha um referencial concreto no alvo de sua luta, doravante – após o 11 de setembro – teria de combater um inimigo invisível, numa experiência ideologicamente nomeada como a Guerra Contra o Terror.

Daslei inquire: Como um homem com um escudo poderia lutar nessa guerra? Como um personagem de história em quadrinhos sobreviveria comercialmente em meio a tanto caos? Como suas histórias continuariam a chamar atenção depois de tanta desgraça? Com a realidade sendo mais fantástica e tendo heróis reais será que os Super-Heróis continuariam?

O ensaio procura responder essas perguntas e entender o que é realmente um herói. Mostra como um herói de papel foi rebaixado a patamar humano para poder sobreviver comercialmente. Em seu estudo, o autor explora as significações do personagem Capitão América no contexto de uma nova (des)ordem internacional, que mostra o império americano atingido no centro de sua expressão política e financeira mais eminente, as torres gêmeas do World Trade Center.

H. Magalhães

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