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Pivete

Pivete
Edmar Viana
Série Das tiras coração, 9. João Pessoa: Marca de Fantasia, 1998. 52p. 14x20cm. R$10,00.

E o moleque virou pivete!

Tomei conhecimento do trabalho de Edmar Viana e seu personagem Pivete através da revista Maturi em 1983. A revista Maturi foi criada em 1975 pelo Grupo de Pesquisa em Histórias em Quadrinhos (GRUPEHQ) em Natal, Rio Grande do Norte, e saíram dezenas de edições nos mais diversos formatos (destacando o formato 1/8 de ofício) até o início da década de 90. O Pivete sempre foi presença constante em Maturi, em HQs de uma página de Edmar, participando de HQs de outros autores, e mesmo como um dos símbolos da revista, aparecendo nas capas e em anúncios internos. E o Pivete ganha o leitor de cara. A começar pelo traço de Edmar que é simples, expressivo e bonito. A caracterização visual e psicológica do Pivete é muito bem concebida. E as piadas são bem boladas, as situações engraçadas, não há economia no humor.

Em relação ao tema da tira, há um detalhe interessante. O uso da criança pobre como personagem de HQ é antigo, embora a maioria das crianças dos quadrinhos seja de classe média. No Brasil, no começo do século, na revista O Tico Tico, já aparecia o moleque Benjamin como coadjuvante de Chiquinho, uma série de muito sucesso e que era uma adaptação do personagem norte-americano Buster Brown. Na década de 30, J. Carlos cria a negrinha Lamparina, um marco na HQB. Nas décadas de 50 e 60, diversos quadrinhistas criam personagens ambientados nas classes sociais mais baixas. Aylton Thomaz cria Zequinha e Beto, moradores de uma favela muito bem retratada por Thomaz; Pedro Segui cria Pelé e Pelado; Izomar cria Bolão e Bolacha; e Orlando Pizzi cria diversas séries como Zé Caniço, Turma do Cazuza, Duduca e Jambolão. Até Maurício de Sousa cria seu moleque pobre, descalço, sujo e com calça de suspensório, o Cascão, hoje totalmente descaracterizado. E a revista de quadrinhos mais famosa do Brasil tem justamente o nome de um negrinho, o Gibi. No entanto, todos esses moleque, mesmo pobres, estão inseridos num contexto familiar. Mesmo na criação de Edgar Vasques, Rango, que é paradigma nessa temática dos despossuídos, o filho do Rango tem um pai. Na obra de Edmar, uma outra realidade brasileira já se desenha. O moleque virou “pivete”. Agora é o menor abandonado, sem pai nem mãe, que se apresenta. As situações são as do “pivete” entregue à própria sorte. O bom humor das gags não esconde o pano de fundo que é a sociedade em processo de degradação. Curiosamente, a mesma Maturi trouxe outros “pivetes” como o Peteleco de Carlos Alberto, o Pororoca de Ivo, um moleque sem nome de Lindberg, estes menos explorados por seus autores.

A leitura das tiras presentes neste volume deixa claro que se o modelo para a criação foi uma realidade social condenável, a expressão artística que daí se originou é da melhor qualidade.

Edgard Guimarães

   Mais álbuns da série "Das tiras coração" pela Marca de Fantasia
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H
omossexualidade feminina em tiras.
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2007, 60p, 14x20cm.
O universo infantil descrito com sensibilidade.
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