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Dezembro de 2016

Quando tem que ser

Quando tem que ser
Killoffer
Trad. Henrique Magalhães
Série Repertório, 4.
João Pessoa: Marca de Fantasia, 2010. 72p. 14x20cm. Preço na rubrica Álbuns.
978-85-7999-018-2

Se há um país que valoriza os quadrinhos, este é a França, que lança milhares de álbuns por ano. Lá os quadrinhos são considerados como arte e seus autores têm status no mesmo nível dos grandes nomes da literatura, do cinema ou de qualquer outra expressão artística. Apesar de tamanho reconhecimento, muito distante do que ocorre no Brasil, lá ainda há motivo para se editar fanzines, para autores se organizarem em grupos e criar editoras independentes.

Patrice Killoffer, ao lado de um punhado de companheiros, foi um dos que preferiu trilhar esse caminho, formando em 1990 L'Association, uma editora independente para abrigar os autores mais ousados, cujos trabalhos têm caráter experimental e que, de algum modo, encontram-se à margem da linguagem fácil dos quadrinhos comerciais. As publicações lançadas por L'Association viriam dar suporte à produção do próprio grupo, bem como difundir as obras de outros autores que comungam o mesmo princípio autoral.

Foi na revista Lapin – um verdadeiro álbum periódico que serve de amostragem da diversidade expressiva do grupo – que Killoffer tornou pública boa parte de seu trabalho. As histórias em quadrinhos curtas logo seriam compiladas em álbuns, dando uma visão mais abrangente da obra desse autor. Um desses álbuns chama-se Quand faut y aller, lançado por L'Association em 2006 e que agora chega ao Brasil com o título Quando tem que ser, numa produção da editora Marca de Fantasia. Para isto, contou-se com a imprescindível participação não só de L'Association como da Aliança Francesa de João Pessoa, cujo diretor Mikael de La Fuente empenhou-se pessoalmente na cessão dos direitos de edição.

Quando tem que ser talvez seja o álbum mais visceral de Killoffer. Nele, encontramos o autor desnudado por meio de pequenas histórias autobiográficas em que aparece como protagonista, encarnando suas memórias e fantasias. É interessante ver o despojamento do artista quando aborda alguns aspectos incômodos de sua infância e suas relações familiares, assim como suas relações afetivas, no desenrolar de sua vida amorosa. Killoffer não mede palavras, como numa longa sessão de autoanálise, com a segurança de quem já encarou seus fantasmas e os superou.

Apesar desse tom memorialista, Quando tem que ser é um álbum que flui como as boas obras de quadrinhos. Por vezes, Killoffer abre mão do texto em sua narrativa. Mas há histórias em que ele recorre massivamente ao texto como força expressiva, chegando próximo ao conto ilustrado. Nada disso, porém, tira o vigor da récita de Killoffer, que domina com primor a arte de contar histórias.

Outro elemento interessante neste álbum é ver a transformação visual dos quadrinhos do autor. Como o álbum reúne histórias publicadas de 1992 a 2004, assistimos à impressionante versatilidade do traço, que corresponde a várias fases de produção e se adéquam a diferentes propostas de seus quadrinhos. Esta diversidade gráfica e textual conta positivamente na edição deste álbum de Killoffer, que serve como uma introdução a sua obra, como um portfolio do artista.

Henrique Magalhães

 

Contemplando o bizarro abismo

Audaci Junior

A  primeira obra do quadrinista francês Patrice Killoffer publicada no Brasil é um apanhado de várias histórias que o editor da independente L'Association colecionou ao longo de 12 anos (de 1992 a 2004), publicados na revista  Lapin.

Quando tem que ser  (Marca de Fantasia, R$ 15) é um prisma da versatilidade do autor, que não tem “papas” na ponta da pena para desnudar seus traumas infantis promovidas pela mãe, os desastrosos relacionamentos amorosos ou as reflexões acerca de seu ego. Killoffer se demonstra visceral e bizarro com os temas abordados, que, além do biográfico, passam pelo universal como a criação do mundo e por trivialidades como os fatos históricos milenares de locais por onde passou.

Os desenhos do francês são uma atração à parte. Pode-se notar pelo menos quatro estilos que o quadrinista usa até hoje em dia para ilustrar charges ou matérias de importantes jornais como o  Le Monde  e o  Libération. O estilo cubista pula para uma arte mais arejada e estilizada de uma história para outra, mostrando um domínio de traço ímpar.

Por outro lado Killoffer vomita informações com excesso textual em algumas histórias e é extremamente econômico nas outras. Mas o que se sobressai é a metáfora, o tom confessional e o humor excêntrico do artista.

A edição da paraibana Marca de Fantasia faz jus ao próprio conteúdo, com excelente impressão e acabamento. O “senão” fica por conta do letreiramento, que algumas vezes atrapalha a leitura por causa do formato do álbum (14x20cm).

Importante frisar a cumplicidade da Aliança Francesa da Paraíba, que fez uma ponte tornando possível o direito de publicação por aqui. Que venham mais.

Jornal da Paraíba, Vida e Arte, 6/11/2010

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