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O Baú do Irrthum

O Baú do Irrthum
Luciano Irrthum
Série Repetório, 11.
João Pessoa: Marca de Fantasia, 2012. 68p. 14x20cm. R$15,00.
ISBN 978-85-7999-052-6

Para os seres surreais que não conhecem Irrthum

Não lembro em que ano foi – mesmo porque não interessa qual ano foi – que conheci Luciano Irrthum, um jovem freak que desenhava como um veterano. Na época ele me enviou algumas HQs bem sarcásticas (publicadas no meu fanzine demencial Arghhh) que o público adorou. Irrthum tinha potencial! Já havia nascido com o talento incluído, coisa rara no underground brasileiro (anos depois o próprio Irrthum me confidenciou que havia escrito e enviado trabalhos para vários outros fanzines além do meu e ninguém havia sequer respondido-lhe as cartas!!!).

Em início de 1994, Irthum me propôs o lançamento de uma quadrinização do poema O Corvo de Edgar A. Poe... Aceitei na hora e banquei a edição (em xerox) e a distribuição (gratuita, mais de 500 exemplares no Brasil e Europa, pela Canibal Produções na época). Resultado: foi o fanzine mais comentado daquele ano e faturou o prêmio Nova 95 de melhor desenhista. Irrthum finalmente começava a ter seu espaço garantido nos fanzines e revistas do Brasil.

Irrthum, na minha opinião, não choca tanto quando faz HQs coloridas, mas seu traço preto no branco é insuperável, devastador, angustiante. Expressionismo surreal a la colagens de Joe Coleman. Marginal tal qual os cineastas da boca do lixo paulista dos anos 1960. Colorido, como já disse, não choca, mas aí sua obra se transforma em lisergia pura para esquisofrênicos incuráveis. Loucura e cores passam a rondar o cérebro dos leitores como se tudo fosse uma viagem infinita de ácido. Jimi Hendrix do nanquim. E como se não bastasse, Irrthum ainda é um artista que experimenta com todas as formas de desenhar. Recentemente inovou seu traço usando computadores e fotos tiradas de bonecos de massa esculpidos por ele próprio, o resultado final – com base no material que pude colocar os olhos – ficou maravilhoso. Sua vontade de criar/inovar, no Brasil das HQs, só é comparável ao genial Julio Y. Shimamoto e seus desenhos deformados em bexigas de ar.

Mas, e o futuro num país de HQs sem futuro? O que dizer das pequenas editoras que amargam no esquecimento graças ao nosso mercado dominado por distribuidoras bandidas? Um Irrthum na Europa seria logo comparado a pessoinhas do porte de Moebius ou H. R. Giger, e talvez até responsável por story-boards de filmes futuristas relegados a se tornarem clássicos da ficção-científica. Pés no chão! Brasil é ruim, a crise econômica tá cada vez mais porrada e tal, mas é onde vivemos e criamos nossa arte. Se lá fora as coisas dão certo, por que aqui não podem dar? Irrthum – e mais uma porrada de artistas e pequenos editores – já está no caminho, criando obras-primas, agora só falta os leitores investirem nos nossos artistas e não na bagulhada que vem de fora!

No mais, tirem vocês as conclusões sobre o rapaz. Graças a Henrique Magalhães o álbum tá aí, nasceu, foi parido pra todo mundo ter um em casa!

Petter Baistorf

Os quadrinhos viscerais de Irrthum

Com o desenvolvimento da computação e o acesso facilitado aos recursos gráficos ficou mais fácil se aventurar na autoedição, na produção de revistas e álbuns de história em quadrinhos sem nada dever às publicações do mercado. A inovação do conteúdo, porém, continua peça rara tanto nas publicações comerciais quanto nas produções independentes, que muitas vezes não fazem mais que emular o lixo do mercado.

Luciano Irrthum, desde o início de sua trajetória nos quadrinhos, ou ao menos desde a década de 1990, já mostrou que não se enquadrava nos clichês do gênero, produzindo um trabalho ao mesmo tempo chocante e transgressor. Ele poderia se encaixar no que se convencionou chamar de quadrinhos undergrounds, pelo traço grotesco e sujo que tão bem representa o gênero, assim como os temas enfocados, nem um pouco aceitáveis pelo bom gosto predominante.

O trabalho de Irrthum, porém, é de uma forma tão visceral que está acima de qualquer classificação, a menos que se considere como underground toda e qualquer expressão autoral que subverta os cânones da arte. O underground torna-se, assim, um gênero aberto, como aberta e inconformista é a arte de Luciano Irrthum.

H. Magalhães

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